Fidel Castro elogia irmão por aperto de mão com Obama

Fidel Castro elogiou nesta quinta-feira o irmão, o presidente cubano, Raúl Castro, pelo aperto de mão com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante cerimônia em homenagem a Nelson Mandela, dizendo que ele demonstrou cortesia e dignidade com o gesto.

MARC FRANK, Reuters

19 de dezembro de 2013 | 15h18

Fidel, em seu primeiro comentário sobre a morte de Mandela, abordou o aperto de mãos que foi manchete em todo o mundo numa longa coluna publicada nos meios de comunicação cubanos, em que o ex-líder cubano elogiou Mandela e lembrou o papel de Cuba no combate ao apartheid na África do Sul.

"Parabenizo o camarada Raúl por sua atuação brilhante (no tributo), e especialmente por sua firmeza e dignidade quando, com uma saudação amigável, mas firme, ao chefe do governo dos Estados Unidos, disse em inglês: 'sr. presidente, eu sou Castro".

A Casa Branca minimizou o aperto de mãos, dizendo que não foi planejado e que não passou de uma gentileza.

Ainda assim, o encontro teve ressonância porque as relações entre EUA e Cuba foram submetidas a um inesperado aquecimento nos últimos meses, com vários casos de cooperação em vez da retórica hostil habitual.

Obama disse no mês passado, em Miami, que pode ser hora de os Estados Unidos reverem as políticas com relação à Cuba, contra quem o governo norte-americano mantém um embargo comercial há mais de meio século.

Obama questionou se a política em prática desde 1961 continua a ser uma forma eficaz de lidar com as diferenças dos EUA com a ilha comunista.

Fidel, de 87 anos e que foi operado em 2006 no intestino e nunca se recuperou totalmente, entregou o poder ao irmão cinco anos mais novo em 2008.

Fidel não fez nenhum comentário público sobre a morte de Mandela à época, e não pôde comparecer à cerimônia de homenagem da semana passada na África do Sul devido à idade avançada.

Ele não é visto em público há meses, mas uma foto oficial divulgada na segunda-feira o mostrou sentado conversando com seu biógrafo, o escritor espanhol Ignacio Ramonet, na semana passada.

Fidel Castro foi uma voz de liderança contra o apartheid numa época em que outros líderes mundiais relutavam em falar.

Mandela era profundamente grato ao apoio cubano na luta contra o apartheid -- um conflito que incluiu tropas cubanas que lutaram e morreram no sul de Angola.

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