Fidel Castro faz 81 anos longe do público, mas ainda presente

Mesmo afastado do governo, líder mantém proximidade com população em colunas de jornais

ANTHONY BOADLE, REUTERS

12 de agosto de 2007 | 11h21

Fidel Castro completa 81 anos de idade nesta segunda-feira, 13, e os cubanos estão vendo o líder convalescente assumindo um papel equivalente ao do chinês Mao Tse-Tung, enquanto seu sucessor enfrenta a liberdade de reformar a economia e preservar o estado comunista. Fidel está longe dos olhos públicos há um ano, mas não fora das mentes, já que mantém colunas regulares em jornais, enviadas a partir de uma instalação médica secreta.Ele passa seu tempo "meditando em profundidade sobre os problemas vitais que ameaçam nossas espécies atualmente", segundo escreveu recentemente, citando o capitalismo dos Estados Unidos como ameaça à sobrevivência humana. O revolucionário de barba, que já flertou com a idéia de abolir o dinheiro em uma sociedade sem classes, foi forçado a entregar o poder ao irmão Raul no ano passado, depois de passar por uma cirurgia intestinal de emergência.Sua doença é um segredo, assim como sua vida privada. Até mesmo sua idade é uma dúvida. Algumas pessoas dizem que Fidel é um ano mais novo do que a data da certidão de nascimento, porque o documento foi alterado para que pudesse entrar na escola antes. Oficialmente, Fidel está se recuperando de uma crise de saúde que colocou sua vida em risco, mas as autoridades comunistas de Cuba já não dizem se ele voltará ao cargo.Sua sobrinha Mariela Castro deu a entender recentemente que sua saúde pode não estar melhorando e que o destino do socialismo cubano depende de Raul e de líderes mais jovens. "A preocupação que todos temos com a perda do nosso líder está agora mais próxima", disse Mariela Castro em entrevista à agência de notícias espanhola EFE. Ela afirmou que Fidel continua exercendo grande influência em Cuba com sua "autoridade moral", mas que o país está caminhando "com ou sem Fidel."Em discurso no Dia da Revolução, em 26 de julho. Raul Castro disse que os salários - que são em média de US$ 15 por dia - não são adequados.O presidente interino disse que são necessárias mudanças "estruturais" para incentivar a agricultura e cortar a dependência das caras importações de alimentos. Ele criticou o sistema absurdo de distribuição de leite, produto raro nas lojas cubanas.  Debate  "Hoje, Raul é a única esperança de mudança em Cuba", disse o economista dissidente Oscar Espinosa Chepe, ex-diplomata na Iugoslávia, demitido por ter se aproximado do espírito de reformas do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev."Mas a linha dura não quer reformas econômicas, porque sabe que haverá consequências políticas", disse Chepe, que considera a liberação da iniciativa privada como o caminho para a retomada econômica.Depois do discurso de Raul em 26 de julho, Fidel Castro escreveu que ainda está sendo consultado em decisões importantes, o que levou cubanos como Chepe a acreditarem que ele ainda está no poder. Diplomatas ocidentais dizem que Raul está no comando e não esperam uma recuperação de Fidel.Um diplomata europeu disse esperar uma transferência formal de poder já no próximo ano, sob supervisão da geração mais velha de revolucionários. "Eles sabem que precisam resolver quatro grandes problemas com urgência, caso contrário haverá uma implosão", disse o diplomata, citando o transporte público, a moradia decadente, a produção ineficiente de alimentos e os salários baixos.Alguns consideram que Fidel Castro está lutando por seu legado e pela sobrevivência do comunismo com a única coisa que lhe resta, a palavra escrita. "Será que Mao é o futuro de Fidel? O Fidelismo será repudiado e Fidel venerado como o fundador?", perguntou Marifeli Perez-Stable, socióloga cubana na Universidade Internacional da Flórida, em Miami. "Esse pensamento provavelmente domina a mente do comandante."O líder revolucionário Mao Tse-Tung, que bloqueou reformas no final da sua vida e deixou uma economia moribunda ao morrer, em 1976, ainda é reverenciado por muitos chineses. Mas o partido repudiou suas políticas ao adotar uma economia de mercado socialista sob o comando de Deng Xiaoping.

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