Fidel Castro não revela sucessor, mas dá algumas pistas

Fidel Castro renunciou na terça-feirasem revelar quem o sucederá depois de meio século no poder. Masdeu algumas pistas. Na mensagem anunciando sua saída definitiva, Fidel, de 81anos, adiantou que pelas veias do novo Executivo que serádesignado no domingo pelo Parlamento correrá uma mescla desangue velho e novo. "Felizmente nosso processo conta com quadros da velhaguarda, junto a outros que eram muito jovens quando começou aprimeira etapa da Revolução", escreveu Fidel em texto publicadono Granma, jornal do governante Partido Comunista. À frente das figuras históricas está Raúl Castro, umgeneral que acompanhou o irmão em todas as batalhas, foi suamão direita desde a revolução de 1959 e o substituiu a partirde julho de 2006, quando Fidel transferiu o poder por causa deuma doença. Raúl é o favorito para sucedê-lo formalmente no poderdurante os próximos cinco anos. Ele tem 76 anos. Três dos atuais cinco vice-presidentes do Conselho deEstado são da época da revolução. São eles o comandante JuanAlmeida, de 81 anos; José Ramón Machado Ventura, um influentemembro do Partido Comunista, de 76 anos; e o ministro doInterior, general Abelardo Colomé, de 67 anos, que se uniu àguerrilha quando era adolescente. No governo interino de Raúl há outros veteranos daguerrilha como o comandante Ramiro Valdés, um ex-ministro doInterior de 75 anos e agora à frente da pasta de Comunicações. Analistas afirmam que a velha guarda que lutou sob asordens de Fidel continuará com as "botas postas". "Independentemente das muitas mudanças que se produzirãodurante os próximos três a cinco anos, deve se esperar que achamada 'velha guarda' continue sendo uma força influentedentro da atual estrutura de poder", disse DomingoAmuchástegui, um ex-analista da inteligência cubana radicado emMiami desde que desertou, em 1994. Ao contrário do que muitos pensam, as figuras históricasnão representam necessariamente um freio para futuras reformas,segundo Amuchástegui. Mas Fidel recomendou que o novo governo inclua, também,dirigentes mais jovens. "Nosso processo dispõe da geração intermediária queaprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessívelarte de organizar e dirigir uma revolução", acrescentou. Essa geração está encabeçada pelo vice-presidente CarlosLage, de 55 anos, considerado o "arquiteto" das reformaseconômicas da década de 1990 e um possível candidato a ocupar oatual posto de primeiro vice-presidente dos conselhos de Estadoe de Ministros se Raúl for nomeado presidente. Outra figura emergente é o chanceler Felipe Pérez Roque, de41 anos, formado politicamente como secretário de Fidel durantequase uma década e hoje um articulado diplomata capaz dedefender o sistema na Assembléia Geral das Nações Unidas. A resposta será conhecida no domingo, quando o Parlamentovotar uma lista única de 31 candidatos a igual número de cargosno Conselho de Estado.

ROSA TANIA VALDÉS, REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 16h58

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