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Fidel Castro recebe representantes americanos em Cuba

Ex-presidente e Raúl reiteraram que ilha está disposta a dialogar com EUA; mensagem foi bem recebida

Efe e Reuters,

07 de abril de 2009 | 17h02

Membros da delegação do Congresso americano foram recebidos em Havana nesta terça-feira, 7, pelo ex-presidente cubano Fidel Castro, no primeiro encontro com representantes dos EUA desde foi submetido a uma cirurgia, em julho de 2006. A informação foi confirmada por uma porta-voz do governo americano em Havana pouco depois que os oficiais voltaram para o Washington, encerrando uma visita de cinco dias que também foi acompanhada pelo atual chefe de Estado, Raúl Castro.

 

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Durante o encontro, os irmãos Fidel e Raúl reiteraram que Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos, a poucos dias da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago. A mensagem foi bem recebida pelos legisladores do grupo afro-americano do Congresso. Nessa reunião, de acordo com um comunicado divulgado nesta terça pelos jornais cubanos, o presidente expressou "disposição para dialogar sobre qualquer assunto."

 

A nota assinala, no entanto, que ele reiterou a posição "invariável" mantida por Cuba "durante 50 anos, tendo como únicas premissas a igualdade soberana dos Estados e o absoluto respeito à independência nacional e ao direito à determinação". Além disso, Fidel disse no domingo, em um de seus artigos denominados "Reflexões", que Havana "não teme o diálogo com Washington, nem precisa do confronto para existir."

 

Ele também escreveu outro artigo intitulado "Por que se exclui Cuba?", em alusão à Cúpula das Américas que acontecerá de 17 a 19 deste mês em Trinidad e Tobago, com todos os países do continente, exceto a ilha. Segundo Fidel Castro, essa reunião "será uma prova de fogo para os povos do Caribe e América Latina."

 

"É, por acaso, um retrocesso? Bloqueio e, além disso, exclusão após 50 anos de resistência? Quem arcará com essa responsabilidade? Quem exige agora nossa exclusão? Por acaso não se compreende que os tempos dos acordos excludentes contra nosso povo ficaram para trás?", perguntou.

 

Fidel também não deixou passar a oportunidade de falar sobre a visita dos sete congressistas e destacou, entre os comentários que eles fizeram, que um manifestou "sua certeza de que (Barack) Obama mudará a política para Cuba, mas que Cuba devia ajudá-lo também."

 

Além disso, destacou críticas dos legisladores americanos à política para Cuba seguida por Washington durante quase meio século e a afirmação de um deles - que não identifica - de que seu país deve "pedir perdão por anos de hostilidade e bloqueio", sem se referir a própria política interna cubana, onde a oposição política é, na prática, vedada.

 

Cuba ameaça se transformar em protagonista da Cúpula das Américas embora não vai, dado que nove presidentes latino-americanos visitaram Havana até agora neste ano. Além disso, todos os países da região pediram em dezembro a Obama, que suspenda o embargo econômica a Cuba - apelo que em nenhum momento manifestaram ao governo cubano por uma possível abertura política na ilha.

 

O assessor da Casa Branca para a Cúpula, Jeffrey Davidow, disse na segunda-feira em Washington que "seria infeliz se o principal tema passasse a ser Cuba", embora tenha afirmado que Obama não se recusará a falar do processo de revisão da política americana para Havana.

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