Fidel Castro vai aparecer em programa de TV de Cuba

O ex-presidente cubano Fidel Castro, recluso desde que adoeceu, há dois anos, deve aparecer na noite de segunda-feira num programa de rádio e TV no qual discutirá sua teoria de que o mundo está à beira de um conflito nuclear, disse o site do Granma, diário oficial do Partido Comunista local, na segunda-feira.

REUTERS

12 de julho de 2010 | 09h28

Será a segunda vez em uma semana que Fidel, de 83 anos, aparece em público. Desde que se afastou do poder, em julho de 2006, ele era visto apenas esporadicamente em fotos e vídeos, quando recebia visitantes estrangeiros.

Na quarta-feira passada, Fidel esteve numa instituição científica de Havana, conforme revelou um blog no sábado.

Fidel também mantém o hábito de escrever artigos - sob a vinheta "Reflexões" - para a imprensa estatal. Nas últimas colunas, ele abordou o risco de um conflito nuclear por causa dos atritos entre EUA e Irã.

"O império (americano) está a ponto de cometer um erro terrível, que ninguém pode parar. Ele avança inexoravelmente para um destino sinistro", escreveu Fidel em 5 de julho.

Em outro artigo, publicado na noite de domingo, o ex-dirigente disse que o "principal propósito" dos seus escritos é "alertar a opinião pública internacional sobre o que está acontecendo".

Disse que chega a suas conclusões em parte "observando o que aconteceu, como líder político que fui durante muitos anos, confrontando o império, seus bloqueios e seus crimes indizíveis".

Os artigos causam pouca repercussão interna e externa, mas Fidel promete manter sua luta solitária para livrar o mundo de um desastre. "Não hesito em correr riscos de comprometer minha modesta autoridade moral", escreveu ele no domingo. "Vou continuar escrevendo 'Reflexões' sobre o assunto."

Fidel governou Cuba por 49 anos, até adoecer em 2006 e transferir definitivamente o poder ao seu irmão Raúl, em 2008.

A reaparição de Fidel ocorre num momento em que o regime comunista se prepara para libertar 52 presos políticos, todos eles detidos durante uma onda de repressão a dissidentes, em 2003, quando Fidel ainda era o presidente.

(Reportagem de Jeff Franks)

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