Fidel defende Equador e ataca Colômbia e EUA

O ex-presidente Fidel Castromanifestou-se na terça-feira, novamente, a respeito da crisecada vez mais intensa surgida entre o Equador, a Colômbia e aVenezuela, dando apoio ao governo equatoriano, mas voltandosuas armas principalmente contra os EUA, seu inimigo. O Equador e a Venezuela, aliados de Cuba, romperam relaçõesdiplomáticas com a Colômbia depois de soldados deste país teremmatado um líder guerrilheiro dentro do território equatoriano. A ação provocou uma movimentação de contingentes militaresna região e declarações sobre a possibilidade de eclodir umaguerra ali. "O imperialismo acaba de cometer um crime monstruoso noEquador", escreveu Fidel na coluna mais recente que publicounos meios de comunicação oficiais de Cuba, essa sobre suasrelações com o presidente equatoriano, Rafael Correa. "Bombas mortais foram jogadas no começo da manhã contra umgrupo de homens e mulheres que, com algumas poucas exceções,dormiam. Essas eram bombas guiadas por satélites ianques." A crise surgiu quando a Colômbia levou soldados para dentrodo Equador, no sábado, a fim de matar um dos líderes daguerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) eoutros 21 combatentes do grupo. A ação representa um duro golpe para o mais antigo gruporebelde da América Latina, além de ter eliminado o principalcontato de vários governos, entre os quais o francês, ovenezuelano e o equatoriano, nas negociações para libertarreféns há anos mantidos pelas Farc em acampamentos montados emáreas de mata. Fidel, que se submeteu a uma série de cirurgias no abdômenao longo dos últimos 19 meses, não tendo se recuperadototalmente dessas intervenções, renunciou ao cargo depresidente cubano duas semanas atrás. O governo de Cuba, hoje comandado por seu irmão, RaúlCastro, ainda não se manifestou sobre a crise na AméricaLatina. Na terça-feira, Fidel Castro criticou os argumentos dadospela Colômbia e pelos EUA para justificar o ataque de sábado --o de que as Farc são uma organização terrorista. "As acusações concretas contra esses seres humanos nãojustifica a ação. Ninguém, em absoluto, tem o direito deassassinar outra pessoa a sangue frio", afirmou. "Se aceitarmos esse método imperialista de guerra ebarbárie, bombas ianques guiadas por satélites ianques podemcair sobre qualquer grupo de homens e mulhereslatino-americanos dentro do território de qualquer país",afirmou Fidel. O ex-presidente da ilha caribenha sublinhou que os cubanos"não são inimigos da Colômbia." Mas disse que "ficar emsilêncio nos tornaria cúmplices. O território equatoriano foiocupado por soldados que atravessaram uma fronteira." (Reportagem de Marc Frank)

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