Fidel diz que Cuba não aceitará ajuda dos EUA por dignidade

Cuba, devastada nas últimas semanas pordois furacões, não aceitará ajuda humanitária de seu inimigoEstados Unidos por dignidade, disse o ex-presidente FidelCastro em um texto publicado na quarta-feira. Os furacões Gustav e Ike deixaram cerca de 5 bilhões dedólares em danos e 200.000 pessoas desabrigadas em Cuba. Nas últimas duas semanas, Cuba rejeitou três ofertas deajuda do governo dos Estados Unidos, que disse ter oferecidoassistência de até cinco milhões de dólares. "Se em vez de cinco milhões fosse um bilhão, receberiam amesma resposta", disse Castro em um editorial publicado naquarta-feira pelo Granma, o jornal do Partido Comunista, quegoverna o país. "É óbvio que o governo desse poderoso país não podecompreender que a dignidade de um povo não tem preço",acrescentou o ex-presidente. O governo de seu irmão Raúl Castro disse aos Estados Unidosque Cuba não pode aceitar ajuda humanitária de um país que estáhá quase meio século tentando asfixiá-la com um embargocomercial. "O prejuízo de milhares de vidas, sofrimentos, os mais de200 bilhões de dólares que o bloqueio custou, e as agressõesdos ianques não se podem pagar com nada", escreveu Castro. Ao recusar em três ocasiões a oferta de ajuda dos EstadosUnidos, Cuba pediu que Washington suspendesse seu embargodurante os próximos seis meses para permitir que a ilha comprealimentos e materiais de construção. Nas últimas semanas, Cuba aceitou ajuda humanitária daRússia, Venezuela, Espanha, Equador, Colômbia e da ONU, entreoutros. Castro, de 82 anos, está afastado do poder desde queadoeceu em meados de 2006. Em fevereiro, foi substituído napresidência por seu irmão menor Raúl. (Reportagem de Esteban Israel)

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