Fidel diz que mudança não tornará EUA 'menos belicosos'

Ex-líder cubano fez crítica em artigo de sua autoria publicado pela imprensa oficial

EFE

15 de novembro de 2008 | 04h01

O ex-presidente cubano Fidel Castro disse neste sábado que são "ingênuos" os que "sonham" e acham que a chegada do democrata Barack Obama à Casa Branca tornará os Estados Unidos "menos belicosos", e insistiu em que a ilha não voltará ao capitalismo. "Muitos sonham que, com uma simples mudança de comando na Chefia do Império, esse seria mais tolerante e menos belicoso. O desprezo por seu atual governante (George W. Bush) leva a ilusões da provável mudança do sistema", diz um artigo de Fidel divulgado pela imprensa oficial. "Não se sabe ainda o pensamento mais íntimo do cidadão que tomará o Governo sobre o tema. Seria sumamente ingênuo crer que as boas intenções de uma pessoa inteligente poderiam mudar o que séculos de interesses e egoísmo criaram. A história humana demonstra outra coisa", afirma. Por outra parte, Fidel critica o fato de que alguns dos Governos que apóiam a ilha, "a julgar por declarações recentes, não deixam de incluir nas mesmas (declarações) o que fazem para facilitar a transição em Cuba". "Transição para onde?", questiona o ex-líder, e responde: "Para o capitalismo, único sistema no qual religiosamente crêem". Fidel lamenta que esses governantes amigos "também se esquecem de que, depois das vidas ofertadas e tanto sacrifício defendendo a soberania e a Justiça, não podem oferecer a Cuba na outra margem o capitalismo". Segundo o ex-líder, na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, formado pelos países mais ricos e principais emergentes) realizada este fim de semana em Washington, "os recursos naturais não renováveis do planeta e a ecologia sequer são mencionados". "Não se exige o fim da corrida armamentista e a proibição do uso possível e provável de armas de extermínio em massa", acrescenta o artigo. "Nenhum dos que participarão (...) disse uma palavra sobre a ausência de mais de 150 Estados com iguais ou piores problemas, que não terão direito de dizer uma palavra sobre a ordem financeira internacional", criticou.

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