Alex Castro/Cubadebate/Divulgação
Alex Castro/Cubadebate/Divulgação

Fidel diz que Obama fez discurso confuso na Assembleia-Geral da ONU

Ex-líder cubano critica americano por intervenção na Líbia e por 'monopolizar meios de informação'

Reuters

26 Setembro 2011 | 10h32

HAVANA - O ex-líder cubano Fidel Castro disse que o presidente americano, Barack Obama, proferiu um discurso confuso na semana passada perante a Assembleia Geral da ONU, e qualificou de "crime monstruoso" a ação militar da Otan na Líbia. As opiniões foram proferidas em um artigo publicado na segunda-feira, 26, o primeiro escrito por Fidel desde o começo de julho.

 

Veja também:

tabela HOTSITE: Reformas em Cuba

documento ARQUIVO: A Revolução Cubana nas páginas do 'Estado'

especialESPECIAL: 50 anos da Revolução Cubana

A ausência de imagens e escritos de Fidel nos últimos meses motivou rumores de que o veterano revolucionário, de 85 anos, estaria muito mal de saúde.

"Faço uma pausa nas tarefas que ocupam a totalidade do meu tempo nestes dias para dedicar umas palavras (...) (sobre) a Assembleia Geral da ONU", diz Fidel no começo do artigo, publicado no site governamental www.cubadebate.cu. Fiel ao estilo que cultiva há décadas, Fidel atacou os EUA e o "presidente ianque" pelo comportamento que qualificou como belicoso e hipócrita.

Comparando trechos do discurso de Obama às suas opiniões, ele disse: "Apesar do monopólio desavergonhado dos meios de informação de massas e dos métodos fascistas dos Estados Unidos e seus aliados para confundir e enganar a opinião mundial, a resistência dos povos cresce, e isso pode se apreciar nos debates que estão ocorrendo nas Nações Unidas".

Ele questionou muitos pontos do discurso de Obama, acusando-o de descrever equivocadamente as situações no Iraque e Afeganistão, a política dos EUA sobre Israel e a Palestina, e as rebeliões deste ano no mundo árabe. "Quem entende palavras confusas do presidente dos Estados Unidos perante a Assembleia Geral?", questionou.

Fidel disse que o evento na ONU apresenta dificuldades políticas para muitos países que ainda não tomaram posição diante de diversas questões. "Por exemplo, que posição adotar sobre o genocídio da Otan na Líbia? Alguém deseja deixar registrado que, sob sua direção, o governo do seu país apoiou o monstruoso crime realizado pelos Estados Unidos e seus aliados da Otan?"

O cubano não revelou qual é o projeto que o mantém tão ocupado, mas seus aliados Hugo Chávez e Evo Morales, presidentes da Venezuela e da Bolívia, disseram recentemente que ele tem trabalhado em algo ligado à agricultura. Ele prometeu para breve outra coluna sobre os debates na Assembleia Geral da ONU.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.