Fidel diz que pensou que iria morrer em 2006

Líder cubano revela em artigo que ainda tomou decisões no governo enquanto estava gravemente doente

Agência Estado e Associated Press,

24 de janeiro de 2008 | 13h50

Fidel Castro revelou nesta quinta-feira, 24, que pensou que iria morrer quando ficou seriamente doente em julho de 2006, e que ainda tomava decisões enquanto médicos lutavam para salvar sua vida.   "Quando fiquei gravemente doente na noite de 26 e madrugada de 27 de julho, pensei que seria o fim", escreveu o líder cubano em um artigo publicano na primeira página do Granma e de outros jornais da ilha. "Enquanto os médicos lutavam por minha vida", continuou, "o secretário do Conselho de Estado (Carlos Valenciaga) leu a meu pedido o texto e eu ditava os arranjos necessários", contou o convalescente líder de 81 anos sobre o anúncio de sua enfermidade feito em 31 de julho de 2006, pelo próprio Valenciaga, na tevê estatal.   Fidel se submeteu a uma série de cirurgias intestinais e delegou o poder ao seu irmão mais novo, o ministro da Defesa Raúl Castro que assumiu um governo provisório com uma equipe de cinco pessoas apontadas pelo próprio Fidel. Ele não tem sido visto em público desde então.   O líder cubano foi reeleito domingo passado como deputado da Assembléia Nacional do Poder Popular, o parlamento cubano, que tomará posse em 24 de fevereiro. Os novos parlamentares elegerão o presidente do Conselho de Estado, cargo que Fidel ocupa desde 1976. Nas últimas semanas, Fidel disse que não iria se apegar ao poder, criando expectativa sobre a possibilidade de se apresentar ou não para mais um mandato.   O local onde se recupera, detalhes sobre a doença e sua real condição de saúde são segredos guardados a sete chaves em Cuba.   No artigo de hoje, datado de 22 de janeiro, Fidel menciona o encontro de duas horas e meia que teve na semana passada com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Fidel escreveu que Lula decidiu visitar Cuba num impulso repentino mesmo sabendo que "minha saúde não garantia que ele iria se encontrar comigo".   Quando Lula "comentou que estava muito impressionado com minha saúde, respondi que estava me dedicando a pensar e escrever", comentou Fidel. "Nunca na minha vida pensei tanto".

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