Fidel diz que Raúl tem todas as condições para ser presidente

Líder cubano rompe silêncio pós-eleitoral e diz que foi consultado sobre as indicações ao Conselho cubano

Agências internacionais,

29 de fevereiro de 2008 | 09h44

O convalescente ex-presidente cubano Fidel Castro rompeu o silêncio pós-eleitoral e afirmou em sua reflexão publicada nesta sexta-feira, 29, que seu irmão Raúl tem todas as "prerrogativas legais" para desempenhar o cargo de chefe de Estado de Cuba. Fidel afirmou que foi consultado sobre todas as candidaturas do Conselho de Estado, anunciadas no último domingo, mas não chegou a impulsionar nenhum critério para designar o vice-presidente.   Veja também: Leia a cobertura completa sobre a sucessão de Fidel A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel    O líder escreveu que tanto ele como seu irmão foram consultados sobre as nomeações do Parlamento. "Isso não aconteceu porque exigi que me consultassem; foi uma decisão de Raúl e os principais líderes do regime que eu fosse consultado", afirmou. "Ao mesmo tempo que foi uma decisão minha de questionar a comissão responsável pela nomeação se a lista de candidatos para o Conselho de Estado incluiria Leopoldo Cintra Frias e Alvaro Lopez Miera", disse Fidel, se referindo aos dois principais generais e que estiveram mais tempo ao lado de Raúl.   A inclusão de Frias e Miera foi interpretada por muitos cubanos, dentro e fora da ilha, como uma tentativa de instalar aliados militares no Conselho. Fidel desmentiu as preocupações sobre a avançada idade de muitos dos escolhidos para formar o novo governo de Cuba. Os dois generais são "muito mais novos que (o pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos) John McCain e têm muito mais experiência na chefia militar".   Cintra Frias tem 66 anos. A idade de Alvaro López não estava disponível imediatamente, mas ele aparentemente também tem mais de 60 anos. McCain tem 71 anos e terá completado 72 quando o Partido Republicano for realizar sua convenção, no segundo semestre deste ano.   Sem surpresas, Raúl Castro foi escolhido para suceder a seu irmão, Fidel, na presidência do Conselho de Estado de Cuba. As especulações de que a velha guarda do Partido Comunista poderia, num sinal de disposição para a abertura, ceder espaço para os dirigentes da nova geração - nascidos depois da revolução de 1959 - acabaram não se confirmando.   Ao contrário, a sessão que instalou a nova legislatura da Assembléia Nacional elegeu como primeiro vice-presidente um veterano de Sierra Maestra, Juan Ramón Machado, de 77 anos. O cargo era ocupado por Carlos Lage, da geração pós-revolução e apontado como um dos prováveis sucessores de Fidel, que após 49 anos no poder, anunciou que não aceitaria uma nova indicação para a chefia do Estado. Para a presidência da Assembléia, foi reeleito outro veterano, Ricardo Alarcón.   Os 614 deputados eleitos em janeiro - incluindo Fidel, que enviou seu voto por um portador - referendaram a lista única dos 31 integrantes do Conselho de Estado, elaborada previamente e por consenso pela direção do Partido Comunista de Cuba.   (Com Roberto Lameirinhas, de O Estado de S. Paulo)

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