Fidel diz que renúncia não trará mudanças para Cuba

No primeiro artigo desde o anúncio, líder cubano diz que "caminho da liberdade" citado por Bush é a anexação

Agências internacionais,

22 de fevereiro de 2008 | 08h30

No primeiro artigo publicado após a renúncia, o líder cubano Fidel Castro assegurou que a sua saída do cargo não será uma "mudança" como espera o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Na primeira das "Reflexões do companheiro Fidel", ao invés de "Reflexões do Comandante-Chefe", Fidel abordou a reação do seu "adversário" americano sobre a sua carta de renúncia.   Após 49 anos, Fidel Castro renuncia A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   Fidel Castro: herói ou vilão?  Leia cobertura completa da renúncia de Fidel      Na terça-feira, Bush disse esperar que o anúncio de Fidel Castro significasse o início de uma "transição democrática" em Cuba. Segundo o líder cubano, Bush "disse que a minha mensagem era o início do caminho da liberdade, quer dizer, da anexação".   O líder cubano Fidel Castro anunciou na terça-feira que não voltará a governar o país, lançando dúvidas sobre o futuro do regime que se prepara para escolher um sucessor dentro de apenas uma semana. Em uma mensagem publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma, Fidel disse que não aceitará o cargo de Presidente do Conselho de Estado, para o qual vinha sendo eleito e ratificado desde 1976.   Fidel, que deixou o governo após 19 meses afastado por conta de uma doença, afirmou ainda que seguiu pela televisão "a posição embaraçosa de todos os candidatos à Presidência dos EUA", suas reações, e que "um a um, todos se sentiram obrigados a realizar exigências imediatas sobre Cuba para não correrem o risco de perder um único voto que fosse", disse Fidel. "'Mudança, mudança, mudança!' gritaram em uníssono. Eu concordo, 'mudança!', mas da parte dos EUA", escreveu.   O pré-candidato favorito para ficar com a vaga do Partido Republicano nas eleições presidenciais de novembro, John McCain, disse na terça-feira que o país precisava manter as sanções sobre o governo comunista de Cuba até que se realizem eleições livres ali e até que sejam soltos os prisioneiros políticos. Hillary Clinton e Barack Obama, pré-candidatos do Partido Democrata, aventaram a hipótese de aliviar o embargo comercial se o sucessor de Fidel adotar medidas democratizantes.   Ele reiterou ainda que os cubanos não regressarão "jamais ao passado", antes do triunfo da Revolução de 1959 e alfinetou as "minguadas potências européias aliadas" dos EUA, que teriam afirmado que "havia chegado a hora de dançar com a mesma música da democracia e da liberdade" que "jamais realmente reconhecerão.   Fidel, que continuará a ter poder de veto na qualidade de primeiro secretário do Partido Comunista, afirmou que prosseguirá envolvido na "batalha de idéias" escrevendo artigos. "Eu pretendia parar de escrever minhas reflexões por ao menos 10 dias, mas não consegui ficar calado por tanto tempo. Eu precisei abrir fogo, ideologicamente, contra eles", escreveu. O artigo no Granma foi assinado pelo "camarada Fidel" e não mais, como antes, pelo "comandante en jefe".   O líder falou que tem a "consciência tranqüila" com a sua decisão e que "os dias de tensão, esperando a proximidade do dia 24 de fevereiro", o deixaram exausto.   No próximo domingo, a nova Assembléia Nacional eleita no final de janeiro deve escolher o novo Conselho de Estado e o Presidente do país. O irmão de Fidel, Rául Castro, atual presidente do país, é favorito.   Resposta do Granma   O jornal oficial cubano, Granma, negou na quinta-feira que a renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba leve o país a uma transição, conforme indicou o presidente americano, George W. Bush. Em um artigo intitulado Qual é a transição? Perder a identidade?, o jornal cubano qualificou como "discurso ultrapassado" as declarações de Bush e de outros políticos americanos, que disseram esperar pelo início de um processo de transição na ilha.   "Para os cubanos, esse é um discurso ultrapassado. Os EUA têm concentrado seus ataques a Cuba com a personalização do processo revolucionário para assim ocultar de modo enigmático o verdadeiro objetivo que os animam: destruir a Revolução Cubana", disse o jornal, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba.

Tudo o que sabemos sobre:
Fidel CastroCuba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.