Fidel está incomodado com perguntas sobre o seu retorno

Em artigo, presidente cubano fala sobre o afastamento e descarta propor uma data para reassumirgoverno

Efe,

01 de agosto de 2007 | 08h41

O presidente de Cuba, Fidel Castro, se sente perseguido "com perguntas" sobre quando voltará ao poder e garante que lutará sem descanso para se recuperar, mas não dá uma data sobre uma possível volta ao governo.   Fidel fez as novas reflexões em mensagem publicada nesta quarta-feira, 1, pelo jornal oficial cubano Granma, por ocasião do marco de um ano em que o ele está afastado e que o poder foi transferido a seu irmão Raúl, após o líder cubano ter ficado doente.   "Agora me perseguem com perguntas sobre o momento em que voltarei a ocupar o que alguns chamam o poder, como se esse poder fosse possível sem independência", afirma a carta, intitulada "A Chama Eterna".   Segundo Fidel, "o próprio Raúl se encarregou de responder que cada decisão importante, na medida em que estava me recuperando, era consultada a mim. O que farei? Lutar sem descanso, como fiz toda a vida".   O líder cubano, que não aparece em público desde 26 de julho de 2006, afirma que o ano que se passou desde que deixou o poder "vale por dez, quanto à possibilidade de viver uma experiência única que me apresentou informação e conhecimentos sobre questões vitais para a humanidade, que transmiti com toda honradez ao povo de Cuba".   "Compartilho com o povo a satisfação de observar que o prometido se ajusta à realidade: Raúl, o Partido (Comunista de Cuba), o governo, a Assembléia Nacional, a Juventude Comunista e as organizações de massas e sociais, lideradas pelos trabalhadores, marcham adiante, guiados pelo princípio inviolável da unidade", acrescenta.   O líder cubano afirma também que, "com a mesma convicção, continuamos batalhando sem descanso para libertar da cruel e impiedosa prisão os cinco heróis que davam informações sobre os planos terroristas anticubanos dos Estados Unidos", em referência aos agentes cubanos condenados por espionagem nos EUA.   "A luta deve ser implacável, contra nossas próprias deficiências e contra o inimigo insolente que tenta se apoderar de Cuba", afirma Fidel, em clara referência aos EUA.   Sobre esse assunto, Fidel ressalta: "Ninguém tenha a menor esperança de que o império, que leva em si os genes de sua própria destruição, negociará com Cuba".   "Por mais que digamos ao povo dos Estados Unidos que nossa luta não é contra ele, algo muito correto, este não está em condições de frear o espírito apocalíptico de seu governo", acrescenta em sua reflexão.   Ele ainda afirma que também os EUA não poderão frear "a turva e maníaca idéia do que chamam de 'uma Cuba democrática', como se aqui cada dirigente se candidatasse e elegesse a si mesmo, sem passar pelo rigoroso exame da arrasadora maioria de um povo educado e culto que o apóie".   Fidel insiste em "algo que não pode ser jamais esquecido pelos dirigentes da Revolução: é dever sagrado reforçar sem descanso nossa capacidade e preparação defensiva, preservando o princípio de cobrar aos invasores em qualquer circunstância um preço impagável".   Com esta reflexão, Fidel Castro quebra o silêncio dos últimos dias sobre o primeiro aniversário de sua cessão da Chefia do Estado, decisão tomada devido a uma grave doença intestinal.

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