Fidel fala pela 1ª vez sobre morte e pede continuidade em Cuba

Presidência argentina divulga a foto mais recente do líder cubano, ao lado de Cristina Kirchner na quarta-feira

Efe,

23 de janeiro de 2009 | 02h45

O líder cubano Fidel Castro falou nesta quinta-feira, 22, pela primeira vez sobre sua saúde em seu último artigo publicado, ao afirmar que escreve menos para que seus companheiros do Partido Comunista não sejam influenciados por suas reflexões, o agravamento de seu estado ou até sua morte. O líder cubano ainda coloca em dúvida se dentro de quatro anos conservará sua capacidade de estar atento às notícias e aos acontecimentos mundiais como agora e pediu para que os dirigentes da ilha sigam adiante após sua morte.   Veja também Fidel Castro quebra silêncio e elogia Barack Obama   A ausência dos tradicionais artigos de Fidel, de 82 anos, no jornal oficial Granma vinha alimentando especulações de que, após submeter-se a uma cirurgia por problemas intestinais em agosto de 2006, estaria com a saúde tão debilitada a ponto de ter de deixar de escrever. "Tenho o raro privilégio de observar os acontecimentos durante muito tempo. Recebo informação e medito de modo sossegado sobre os acontecimentos. Espero não desfrutar de tal privilégio dentro de quatro anos , quando o primeiro período presidencial de (Barack) Obama estiver concluído", afirmou na quinta-feira em uma de suas habitais Reflexões, como são chamados os artigos que publica na imprensa local.   "Reviso os discursos e materiais elaborados por mim ao longo de mais de meio século", explicou Fidel, em artigo em que fala do novo presidente americano, Barack Obama." Eu estou bem, mas insisto, nenhum deles (os dirigentes do partido e do Estado) devem se sentir comprometidos com minhas eventuais 'Reflexões', com a gravidade de minha saúde ou com a minha morte", disse Fidel, em artigo publicado no site Cuba Debate.   No segundo artigo escrito em dois dias, após cinco semanas de silêncio, o ex-presidente disse que reduziu seus artigos para não interferir nem perturbar os companheiros do partido e do Estado nas decisões importantes que devem tomar. Com relação ao novo presidente americano, Fidel disse que Obama "já afirmou confortavelmente que a prisão e as torturas na base ilegal de Guantánamo terminariam imediatamente". Segundo o líder cubano, isso "começa a semear dúvidas aos que cultuam o terror como instrumento irrenunciável da política externa de seu país".   O ex-presidente elogiou Obama e disse que "ninguém pode duvidar da sinceridade de suas palavras quando afirma que transformará seu país em modelo de liberdade e respeito aos direitos humanos no mundo". Para Fidel, Obama tem um "rosto inteligente e nobre" e "havia se transformado sob a inspiração de Abraham Lincoln e Martin Luther King, para se transformar em símbolo vivente do sonho americano". Fidel ressaltou, porém, que Obama não passou ainda pelo principal teste, que é, segundo ele, o que fazer "quando o imenso poder que tem for absolutamente inútil para superar as insolúveis contradições antagônicas do sistema".   Nesta sexta-feira, a presidência argentina divulgou fotos do encontro de Fidel com a presidente argentina, Cristina Kirchner, tiradas na última quarta-feira. As imagens anteriores eram de 18 de novembro, quando ele recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, em Havana. Segundo Cristina, Fidel "teve palavras muito positivas para com o presidente Obama. Disse que (Obama) não só tinha uma história muito boa como líder político, mas também era um homem absolutamente sincero". Na terça-feira, o presidente cubano, Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel, disse a jornalistas que Obama "parece um bom homem". Raúl desejou que o novo presidente americano "tenha sorte".

Tudo o que sabemos sobre:
CubaFidel Castro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.