Fidel pede para Cuba não fazer jogo do 'inimigo'

'Medite bem sobre o que se diz, o que se afirma, para não fazer concessões vergonhosas', diz ex-presidente

Efe,

16 de abril de 2008 | 02h26

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que é preciso ter "muito cuidado" com as afirmações feitas para não fazer o jogo da "ideologia inimiga" nem fazer "concessões vergonhosas", em artigo de reflexões divulgado nesta terça-feira, 15, pela televisão estatal. "Decidi escrever esta reflexão após escutar um comentário público divulgado por um meio em massa da revolução que não vou mencionar concretamente. É preciso ter muito cuidado com tudo o que se afirma, para não fazer o jogo da ideologia inimiga", disse o líder cubano, que deixou a Presidência do país em 24 de fevereiro. "Não se pode acusar o período especial do sistema que o imperialismo impôs ao mundo", acrescenta na nota, divulgada no programa Mesa Redonda, que habitualmente expressa as opiniões do Governo sobre diferentes temas, geralmente relacionados com a situação internacional. "Medite bem sobre o que se diz, o que se afirma, para não fazer concessões vergonhosas", apontou, sem dar detalhes da declaração a qual critica. Fidel, de 81 anos, se referiu em seu artigo, intitulado "Não fazer concessões à ideologia inimiga", ao período especial, como se chamou em Cuba a profunda crise econômica na qual a ilha caiu durante os anos 90, após a queda da União Soviética. "O período especial foi conseqüência inevitável do desaparecimento da URSS, que perdeu a batalha ideológica e nos conduziu a uma etapa de resistência heróica da qual ainda não saímos completamente", disse. Há meses a imprensa da ilha aborda a situação de deterioração em diferentes setores da economia e da sociedade, como conseqüência dos efeitos dessa crise, tanto em termos de falta de recursos quanto na mudança de mentalidade da geração que cresceu naquele período. O líder cubano assinalou que essa crise "não inventou a mudança climática, a civilização que depende do consumo dos hidrocarbonetos, o transporte de cada membro da família em automóveis que viajam quase vazios nem a nefasta idéia de transformar os alimentos em combustível". "Não inventou as guerras mundiais pela divisão do planeta, as bases militares, as armas nucleares e rádios eletrônicas (...) também não inventou a geografia política e as terras que cada nação dispõe, que foram fruto de outros fatores históricos", continuou. O líder cubano destacou que o "tempo para agir" dos seres humanos "é muito curto" e afirmou que "compreender isto é um grande remédio contra vaidades". Fidel Castro se recupera de uma grave doença intestinal desde julho de 2006 e não aparece em público desde o dia 26 daquele mês.

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