Fidel pode deixar liderança do Partido Comunista de Cuba

Se confirmada a informação, será a primeira vez que os Castro deixam vago posto na cúpula do grupo

Reuters

28 de fevereiro de 2011 | 17h36

HOLGUIN - O Partido Comunista de Cuba colocou a eleição de um novo líder na pauta de seu congresso de abril, quando o veterano dirigente Fidel Castro deve deixar o cargo, disseram fontes ligadas à cúpula do partido durante o fim de semana. Fidel, de 84 anos, já havia deixado as funções públicas, mas manteve o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista, embora tenha delegado a maior parte das atribuições.

Seu irmão caçula, o presidente Raúl Castro, atualmente segundo-secretário, é favorito para sucedê-lo. Mas, como não há outros parentes politicamente ativos, o cargo de segundo-secretário será alguém sem o sobrenome Castro, algo que não ocorre desde a fundação do Partido Comunista, em 1965.

Como primeiro e segundo secretários, os irmãos Castro comandam o Comitê Central partidário, que deveria ter eleições numa conferência no final do ano. Mas a votação foi antecipada para abril porque o estatuto prevê que a escolha do novo ocupante precisa ser feita num congresso formal.

O Comitê Central escolhe o poderoso Burô Político do partido, além do secretariado-executivo, instâncias nas quais numerosas mudanças também são esperadas, segundo fontes. Observadores esperam que essas nomeações apontem o futuro do regime quando Fidel e Raúl Castro, de 79 anos, saírem de cena. Juntos, os irmãos somam 35 anos no poder da ilha - 32 de Fidel e três de Raúl.

O atual presidente diz que a principal tarefa do congresso de abril, o primeiro desde 1997, é adotar oficialmente as reformas com as quais ele pretende modernizar o sistema econômico de estilo soviético. Apesar da ampla expectativa de que Fidel renuncie à liderança partidária, o nome dele chegou a ser incluído como candidato pelos comitês locais do partido. "Há muita gente no partido que deseja que Fidel continue, mas acho que no final algum tipo de novo cargo será criado para ele", disse um membro do partido, pedindo anonimato.

Desde que se afastou do poder por questões de saúde, em agosto de 2006, Fidel se dedica principalmente a escrever artigos sobre política internacional, publicados na imprensa estatal e na Internet. Oficialmente, continua também como membro do Parlamento, mas desde que adoeceu não comparece às sessões bianuais.

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