Fidel retoma editoriais, 'abre fogo' e defende mudanças nos EUA

Três dias depois de abrir mão daliderança de Cuba, Fidel Castro regressou à linha de combate,na sexta-feira, afirmando que os Estados Unidos precisam mudarsua tradicional política de sanções em relação à ilhacaribenha. Fidel disse que pretendia tirar alguns dias de folga dostextos quando anunciou a aposentadoria, na terça-feira, mas quenão conseguiu ficar em silêncio. A reação da comunidade internacional ao afastamento dele,incluindo apelos por "liberdade" em Cuba, obrigou-o a "abrirfogo" novamente contra seus inimigos ideológicos nos EUA,afirmou. "Gostei de ver a postura embaraçosa adotada por todos oscandidatos à Presidência norte-americana", escreveu em umacoluna publicada no jornal oficial do Partido Comunista Cubano,o Granma. "Um a um, todos se sentiram obrigados a realizar exigênciasimediatas sobre Cuba para não correrem o risco de perder umúnico voto que fosse", disse Fidel. "'Mudança, mudança, mudança!' gritaram em uníssono. Euconcordo, 'mudança!', mas da parte dos EUA", escreveu. Fidel, 81, não aparece em público desde que, em julho de2006, submeteu-se a uma cirurgia e entregou o poder, entãotemporariamente, a seu irmão Raúl Castro. A Assembléia Nacionalde Cuba, que não tem autonomia, deve confirmar no domingo anomeação de Raúl como o novo líder de Cuba. Fidel, o líder político do século passado a ficar maistempo no poder, transformou Cuba em um Estado de partido únicoe em um aliado soviético às portas dos EUA após tomar o poder,em 1959. O dirigente sobreviveu à Guerra Fria, a várias tentativasde assassinato arquitetadas pela CIA e ao que chama de"bloqueio" norte-americano durante 10 governos consecutivos dosEUA. O atual presidente norte-americano, George W. Bush, tornoumais rígido o embargo comercial de 45 anos e rejeitou aliviaras sanções ou as restrições sobre viagens para Cuba sem que ailha adotasse um regime democrático. Uma mudança do tipo, no entanto, significaria a "anexação"de Cuba pelos EUA, afirmou Fidel na sexta-feira, criticandotambém as "retraídas potências européias" por aderirem àspressões norte-americanas na defesa de reformas na ilha. CUBA E O CENÁRIO POLÍTICO DOS EUA O pré-candidato favorito para ficar com a vaga do PartidoRepublicano nas eleições presidenciais de novembro, JohnMcCain, disse na terça-feira que o país precisava manter assanções sobre o governo comunista de Cuba até que se realizemeleições livres ali e até que sejam soltos os prisioneirospolíticos. Hillary Clinton e Barack Obama, pré-candidatos do PartidoDemocrata, aventaram a hipótese de aliviar o embargo comercialse o sucessor de Fidel adotar medidas democratizantes. Em um debate realizado na quinta-feira, os dois, porém,divergiram sobre o momento de negociar com Cuba. Obama disseque poderia agir rapidamente a fim de conversar com osubstituto de Fidel. Hillary adotou uma postura mais cautelosa,dizendo que Cuba precisava antes avançar na questão dosdireitos humanos. Fidel, que continuará a ter poder de veto na qualidade deprimeiro secretário do Partido Comunista, afirmou queprosseguirá envolvido na "batalha de idéias" escrevendoartigos. "Eu pretendia parar de escrever minhas reflexões por aomenos 10 dias, mas não consegui ficar calado por tanto tempo.Eu precisei abrir fogo, ideologicamente, contra eles",escreveu. O artigo no Granma foi assinado pelo "camarada Fidel" e nãomais, como antes, pelo "comandante en jefe".

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