Fidel se posiciona diante dos acordos internacionais

Cubano revê discurso em que faz objeções ao Pacto de direitos econômicos, sociais e culturais

Efe,

14 de dezembro de 2007 | 01h40

O presidente de Cuba, Fidel Castro, enviou duas novas mensagens que foram divulgadas nesta quinta-feira na televisão cubana e destacou a posição do país sobre diversos compromissos internacionais. Castro havia solicitado, numa carta enviada na quarta-feira à TV estatal, que se lembrasse a postura do país sobre vários e tratados e convenções internacionais. Na segunda-feira, o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, havia anunciado a decisão de Cuba de assinar dois importantes acordos na área de direitos humanos. O presidente cubano, que desde julho do ano passado se recupera de uma doença grave, disse que era preciso expressar "concretamente" a posição de Cuba sobre o tema. Ele citou um discurso que fez em abril de 2001, que, segundo afirmou, "naquele momento podia parecer fora de propósito". "Foi há pouco menos de sete anos. Estamos envolvidos num processo eleitoral. Considero as idéias o ponto de partida da minha vida política. Daria hoje a este material como título a sua linha final: 'A história dirá quem tem a razão'", disse Castro. O líder cubano enviou outra carta escrita de próprio punho, agradecendo a divulgação do documento. No discurso de 2001, Castro comentava as suas objeções ao Pacto de direitos econômicos, sociais e culturais, que, segundo Pérez Roque, Cuba vai assinar junto com outro acordo, de direitos civis e políticos. Na ocasião, Castro via com reservas aspectos como o direito à organização em sindicatos livres. Ele argumentava que os trabalhadores em Cuba "compartilham o poder com o resto do povo". "Esse preceito serviria de arma e de pretexto ao imperialismo para dividir e fragmentar os trabalhadores, criar sindicatos artificiais, e reduzir a sua força e influência política e social", alegava. Felipe Pérez Roque anunciou na segunda-feira a assinatura "em breve" dos dois acordos como "expressão" da colaboração do país com o sistema das Nações Unidas, com base "no direito à soberania nacional e no direito do povo cubano à livre determinação". O chanceler acrescentou que a situação de "manipulações contra Cuba no terreno dos direitos humanos" na antiga Comissão de Genebra, que chamou de "tribunal inquisitorial", mudou "radicalmente" com o surgimento do novo Conselho de Direitos Humanos.

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