Fidel visita instituição econômica um dia após aparecer na televisão

Ex-ditador se reuniu com especialistas para advertir sobre os perigos de uma guerra nuclear

Efe,

13 de julho de 2010 | 21h56

Fidel conversa com especialistas no Centro de Investigações da Economia Mundial

 

HAVANA- O líder cubano Fidel Castro visitou nesta terça-feira, 12, o Centro de Investigações da Economia Mundial, onde se reuniu com especialistas, em sua terceira aparição pública em menos de sete dias, informou a televisão estatal do país.

 

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Fidel se reuniu com diretores e economistas que trabalham no centro e discutiu mais de meia hora com eles para advertir sobre os perigos de uma guerra nuclear e os pedir que analisem o tema.

 

No ato de hoje, Castro entregou aos especialistas uma mensagem para ser compartilhada com economistas do país e outras partes do mundo. Nela, o ex-ditador pede que sejam analisados "os graves perigos de uma guerra no Oriente Médio" e "a terrível ameaça para nossa espécie que significa a destruição do meio ambiente ante nossos próprios olhos".

 

De acordo com o texto, o próprio Fidel solicitou a reunião para "rogar a eles" que realizem um trabalho de "ficção científica" para que nos próximos dias meditem e analisem "sobre estes delicados assuntos" durante quatro horas diárias.

 

O objetivo, de acordo com Fidel, é responder a pergunta do que devem fazer "os países da Nossa América" se suas advertências forem confirmadas.

 

"Se trataria com certeza de desenvolver uma nova civilização, a partir dos colossais conhecimentos científicos que nossa espécie possui hoje", sugere.

 

"Sei que alguns companheiros se preocupam seriamente com que eu arrisque minha credibilidade ao afirmar algo tão importante quanto seria um conflito que inevitavelmente se tornaria nuclear", disse

Fdel, que acrescentou que, para ele, é mais importante que as pessoas estejam bem informadas sobre os perigos que as ameaçam.

 

Na quarta, O ex-presidente  que completa 84 anos em agosto conversou sobre o conflito na Península da Coreia e no Oriente Médio  em entrevista no programa Mesa Redonda, um talk show diário sobre eventos atuais que geralmente é transmitido ao vivo para toda a ilha.

 

Segundo o ex-presidente, o desenvolvimento do conflito na Oriente Médio desencadeará um ataque nuclear dos Estados Unidos e Israel ao Irã, e a opinião pública deve estar preparada para isso.

 

Fidel também leu muitos informes sobre o aumento do armamentismo e comentários de colunistas que criticaram a estratégia de segurança dos Estados Unidos e do presidente Barack Obama.

 

Antes de sua doença, que o mantém praticamente recluso desde 2006 e o obrigou a delegar o poder a seu irmão, Raúl Castro, Fidel era um participante quase cotidiano das "Mesas", nas quais participava durante horas, mas desde então se limitou a receber amigos em particular, enquanto a televisão e os jornais mostram imagens dos encontros.

 

Castro ainda se mantém politicamente ativo por meio das "Reflexões", colunas de opinião publicadas em meios de imprensa oficiais sobre temas nacionais, e ultimamente cada vez mais seguindo assuntos internacionais.

 

Suas raras aparições em público ocorrem enquanto Cuba prepara o envio à Espanha dos primeiros 20 presos políticos de 52 opositores que o governo liberará gradualmente em um prazo de quatro meses, dos quais sete já chegaram em Madri.

 

No último sábado, foi divulgado que Fidel visitou o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNIC), em sua primeira aparição pública desde 2006 fora de sua residência e documentada com fotografias.

 

A visita foi realizada na quarta-feira passada, mesmo dia em que seu irmão Raúl se reuniu com o cardeal Jaime Ortega, máxima autoridade católica de Cuba, e com o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, para anunciar o processo de libertação gradual de 52 presos políticos.

 

Fidel Castro exerceu o Poder Executivo em Havana durante 49 anos e ainda é primeiro secretário do Partido Comunista, o único legal na ilha.

 

Atualizado às 22h51 para acréscimo de informações

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