Fidel volta a escrever para jornais cubanos após meses de silêncio

Uma carta do ex-líder cubano Fidel Castro parabenizando um instituto médico de Havana em seu 50o aniversário foi publicada na primeira página dos jornais cubanos na quinta-feira, na primeira publicação dele nos jornais em quatro meses.

JEFF FRANKS, Reuters

18 de outubro de 2012 | 15h18

A carta e uma história que a acompanha, que ocuparam a primeira página inteira do jornal Granma, do Partido Comunista, pareceram ser uma tentativa de aplacar os rumores sobre a saúde de Fidel e para dar o peso dele à justificativa do governo para a imposição das restrições de viagens há 50 anos.

A maioria das restrições de viagem será suspensa a partir de 14 de janeiro, anunciou o governo na terça-feira.

Com 86 anos, Fidel Castro tem sido objeto de rumores em blogs e no Twitter nas últimas semanas de que estaria morto ou praticamente morto. Todos os rumores são alimentados por sua longa ausência do olhar público.

Depois de renunciar à Presidência em 2008, Fidel escrevia com regularidade colunas para a imprensa estatal, mas desde 19 de junho não publicava nada. Os últimos textos foram considerados por muitos tão esquisitos que suscitaram questionamentos sobre seu estado mental.

A última aparição pública dele ocorreu em março, quando se encontrou rapidamente com o papa Bento 16 durante a visita dele à ilha comunista. Embora tenha parecido lúcido, ele apresentou problemas para andar e estava bastante curvado.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, amigo próximo e aliado, disse em diversas ocasiões que Fidel está bem. Na semana passada, o filho Alex Castro disse que seu pai estava se exercitando e passava bem.

A carta, publicada com a assinatura dele e datada de 17 de outubro, comentou o estabelecimento da vitória do Instituto Giron de Ciências Básicas e Pré-clínicas em 1962, que, segundo Fidel, "marcou o início da formação em massa de médicos", considerada por Cuba uma de suas realizações características.

O instituto, escreveu ele, foi criado em resposta "à ação criminosa do império vizinho para roubar, como o fez com promessas de vistos e empregos, a maioria dos 6 mil médicos do país".

As palavras dele ecoaram as de um editorial do governo publicado no Granma na quinta-feira acompanhando o anúncio sobre a suspensão das regulamentações de viagens, amplamente odiadas pelos cubanos. De acordo com as novas regras, os médicos serão um dos diversos profissionais que ainda estarão sujeitos às antigas restrições.

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