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Filha de Fujimori diz que condenação 'destila ódio e vingança'

Acusado de violar direitos humanos, ex-líder peruano foi sentenciado a 25 anos de prisão; ele promete recurso

Agências internacionais,

07 de abril de 2009 | 18h56

A filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, Keiko Fujimori, afirmou nesta terça-feira, 7, que a sentença de 25 anos de prisão recebida pelo pai "é uma aberração, que destila ódio e vingança". Em entrevista aos jornalistas, a legisladora acrescentou que os fujimoristas "vão sair para respaldar Fujimori nas ruas pacificamente."

 

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Ela qualificou o ex-líder de o "melhor presidente que o país teve, que venceu o terrorismo". "Milhões se juntarão a nós para apoiar Fujimori", assegurou. Além disso, a filha de Fujimori disse que há organizações que estão se aproveitando da decisão desta terça, e expressou preocupação com que o "terrorismo" seja beneficiado com a sentença.

 

Visivelmente emocionada, Keiko se dirigiu aos opositores do ex-presidente para afirmar: "se pensam que esta condenação vai nos enfraquecer, estão errados". "Os fujimoristas crescem e se fortalecem frente a estas injustiças, hoje estamos em primeiro lugar nas pesquisas (de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2011), e continuaremos assim", acrescentou.

 

Fujimori, de 70 anos, foi acusado de homicídio pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), cometidas por um esquadrão da morte do Exército, e pelos sequestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, ambos em 1992. Ele é o primeiro ex-presidente democraticamente eleito da história a ser julgado em seu próprio país por violações dos direitos humanos.

 

Logo após a proclamação da pena, Fujimori afirmou que recorrerá, processo que deverá durar quatro meses. O magistrado San Martín qualificou os crimes cometidos como "a mais grave e severa desvalorização da pessoa" por parte de Fujimori. "Interponho um recurso de nulidade", afirmou Fujimori, quando questionado sobre a sentença. O promotor José Peláez se disse satisfeito com a pena imposta.

 

Fujimori subiu ao poder em 1990 e ficou no cargo até o ano 2000. Ele governou de maneira autoritária e lançou uma implacável guerra contra o violento grupo maoista Sendero Luminoso, o qual conseguiu desmantelar, com a captura final do líder do Sendero, Abimael Guzmán. Condenado à prisão perpétua, Guzmán cumpre pena em Callao.

 

Pressionado por escândalos de corrupção em sua administração, Fujimori se exilou no Japão, aproveitando-se de ter dupla cidadania. Em 2005, mudou-se para o Chile, onde dois anos depois foi preso e extraditado.

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