Filha de Raúl Castro diz que há liberdade de expressão em Cuba

Mariela afirma que Fidel continua como o comandante da ilha e que todas as decisões têm a participação do tio

Efe,

27 de março de 2008 | 11h10

Mariela Castro, filha do presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou que há liberdade de expressão na ilha, e ressaltou que os cubanos são muito críticos em relação ao governo, em entrevista publicada nesta quinta-feira, 27, pelo jornal italiano Corriere della Sera. Perguntada sobre uma possível abertura política na ilha após a eleição de seu pai, Mariela disse que as transformações em Cuba não dependem da mudança de governante, e garantiu que "Fidel (Castro, ex-presidente do país) continua sendo o comandante", e que todas as decisões são tomadas com participação dele. "As mudanças em Cuba são feitas desde 1 de janeiro de 1959. A Europa é que não enxerga isso", afirmou Mariela. "A maioria dos cubanos quer que o socialismo continue, mas que seja administrado de uma melhor forma". A filha do presidente cubano disse, no entanto, que "poder ir a um hotel, ter acesso a um computador e a aparelhos elétricos" deveriam ser direitos constitucionais na ilha, e pediu a abolição da "permissão de saída". "O espaço para discussão faz parte do socialismo. Assim como todos os países, Cuba deve encontrar seu caminho", disse. Sobre as diferença de personalidade entre Fidel e Raúl, Mariela destacou que seu tio "mirava o alvo e nunca perdia a visão"."Papai a transforma em uma realidade palpável. Eles se complementam", afirmou. Mariela, sexóloga de 45 anos, casada com um italiano e mãe de três filhos, dirige em Cuba o Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) e é uma importante ativista na luta pelos direitos dos homossexuais e transexuais na ilha. Sobre isso, ela afirma que existe uma "homofobia leve" em Cuba. "Não há casos de pessoas mortas ou agredidas em Cuba por serem homossexuais, como acontece na Europa e nos Estados Unidos", afirmou.

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