Filha de Raúl Castro insinua que líder apoia casamento gay

A sexóloga Mariela Castro, uma das filhas do presidente cubano Raúl Castro, insinuou no sábado que seu pai é a favor de uniões civis entre homossexuais e encoraja o fim de todo tipo de discriminação contra as minorias sexuais na ilha.

NELSON ACOSTA, REUTERS

12 Maio 2012 | 18h13

A diretora do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) que surgiu como defensora da diversidade sexual liderou uma marcha contra a homofobia, que reuniu cerca de 400 cubanos, entre homossexuais, travestis e transexuais.

"Entendi que o presidente cubano se manifestou em diversas ocasiões (sobre o tema)", disse Mariela Castro.

"Mas não o fez em público. Certamente é parte de sua tática e estratégia. É o estilo dele. Não vou pressioná-lo para que o faça publicamente, porque me importo mais com ações concretas do que com palavras", acrescentou.

Os gays de Cuba têm sido tradicionalmente depreciados e às vezes reprimidos, desde os primeiros anos da revolução de 1959 que levou o ex-presidente Fidel Castro ao poder.

Homossexuais e transexuais foram concentrados em campos de trabalho forçados, na década de 1960, tempo de uma sociedade com fortes doses de machismo.

Os comentários de Mariela Castro, que dançou ao ritmo de conga pelas ruas de Havana, chegam pouco depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoiou o casamento entre homossexuais nos EUA.

"Parabenizo o presidente Obama por sua mensagem humana de compreensão... a favor do casamento, da união livre entre casais do mesmo sexo", disse ela.

"Ele (Raúl) foi diplomata ao falar da necessidade de avançar também no que se refere aos direitos de liberdade de opção de orientação e identidade sexual e de superar todos os preconceitos", disse a sexóloga ao responder uma pergunta da Reuters sobre se seu pai apoiava a união civil entre cubanos do mesmo sexo.

A diretora do Cenesex, cujos avanços na esfera legal já incluem 15 cirurgias gratuitas de troca de sexo, desde 2008, pressiona o Parlamento desde 2006 a aprovar uma emenda que busca fórmulas para modificar o Código Família, vigente desde 1975, nos tópicos relacionados à transexualidade e homossexualidade no país.

A Primeira Conferência Nacional do partido do governo, o Partido Comunista, que aconteceu em janeiro se pronunciou rejeitando todo tipo de discriminação, incluindo orientação sexual.

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