Fim da era Fidel não encerra repressão, diz ativista

Os grupos internacionais de direitoshumanos esperam que a aposentadoria de Fidel Castro leve àlibertação de presos políticos, mas um ativista local, maiscético, disse não haver um fim da repressão à vista. "O 'gulag' está intacto e continua engolindo os cubanos.Poucos estão sendo soltos", disse na quarta-feira o ativistaElizardo Sánchez, comparando a situação na ilha ao sistemasoviético de presídios. A Comissão Cubana de Direitos Humanos, entidade ilegal, mastolerada, dirigida por Sánchez, estima que 230 pessoas estejampresas no país por manifestar opiniões políticas, cumprindopena de até 28 anos de prisão. A Anistia Internacional adotou 58 deles como "prisioneirosde consciência", ou seja, considera que estão detidos apenaspor manifestarem pacificamente suas opiniões. A entidade pediuna terça-feira ao regime cubano que aproveite a renúncia deFidel para oferecer garantias básicas aos direitos humanos. A reforma, segundo a Anistia, deveria começar com alibertação de todos os presos de consciência, seguida por umarevisão judicial de todas as sentenças obtidas em julgamentosirregulares e a abolição da pena de morte. Fidel, de 81 anos, anunciou na terça-feira que está doentedemais para buscar um novo mandato presidencial. Seu irmãoRaúl, de 76, já dirige interinamente o país desde julho de2006. Na semana passada, o governo soltou quatro dissidentes queestavam presos desde março de 2003 e determinou que eles semudassem com seus parentes para a Espanha, que havia solicitadoa libertação do grupo por razões de saúde. Há hoje menos presos políticos na ilha do que no final de2006, quando existiam 283. Alguns governos estrangeiros vêemnisso um sinal de que Raúl é mais tolerante com dissidências doque Fidel. A decisão cubana de assinar até março um tratado da ONUsobre Direitos Civis e Políticos e um pacto semelhante sobredireitos econômicos e sociais também foi vista como um passopositivo. Mas Sánchez, um ex-professor de Filosofia Marxista, diz quenada mudou. Ele acha que Fidel continuará mandando em Cubaenquanto viver. "Enquanto houver 230 presos políticos nos cárceres cubanos,não se pode dizer que a situação avançou um só milímetro",afirmou. Cuba qualifica os presos como "mercenárioscontra-revolucionários" a soldo dos EUA, e impede que a CruzVermelha tenha acesso a eles. A Human Rights Watch, com sede em Nova York, também pediuna terça-feira a Havana que liberte incondicionalmente osdissidentes e descriminalize a oposição ao regime. A ONG listou vários tipos de abusos por parte do poderpúblico para cecear a liberdade de expressão dos cidadãos. "Mesmo que Castro não dê mais as cartas, a máquinarepressiva que ele construiu ao longo de quase meio séculocontinua totalmente intacta", disse José Miguel Vivanco,diretor de Américas da Human Rights Watch. "Até que isso mude, é improvável que haja qualquerprogresso real na questão dos direitos humanos em Cuba."

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