FMI promete respaldar Honduras após volta de Zelaya

Presidente do Banco Central hondurenho diz que Fundo vai apoiar recuperação econômica do país

Rolf Kuntz, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2009 | 11h05

O governo do presidente deposto Manuel Zelaya obteve o compromisso do Fundo Monetário Internacional (FMI) de respaldar a recuperação econômica do país quando o líder voltar ao poder, segundo anunciou nesta segunda-feira, 5, o presidente do Banco Central hondurenho, Edwin Araque.

 

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Segundo Araque, o Bird se dispõe a fornecer US$ 150 milhões ao pais quando a situação política se normalizar. Mas um porta-voz do banco negou oficialmente qualquer negociação neste momento. Os desembolsos de um empréstimo de US$ 163,8 milhões do Fundo foram suspensos desde setembro.

 

Araque e a ministra de Finanças hondurenha do governo deposto, Rebeca Santos, se reuniram com o diretor adjunto do Fundo, o brasileiro Murilo Portugal, e o diretor para a América Latina, Nicolás Eyzaguirre. Segundo o presidente do BC, o FMI disse "esperar a restituição na normalidade democrática para iniciar o processo de enviar uma equipe" que avaliará a situação da economia e as necessidades de Honduras.

 

Para Honduras, disse a ministra, o impacto da crise internacional foi maior do que teria sido sem a deposição do governo. Nos últimos anos, a economia hondurenha cresceu a uma taxa média pouco superior a 6%. Previa-se para 2009 uma expansão de apenas 1%, mas agora se estima, acrescentou, uma contração de 3%.

 

O investimento estrangeiro direto deve ficar neste ano em US$ 450 milhões. A estimativa era de US$ 800 milhões, mas o ingresso de recursos, disse Araque, tem sido afetado pela insegurança política.

 

Honduras é um dos cinco países mais pobres da América Latina. Vivem na pobreza 60% dos hondurenhos, disse a ministra Rebeca Santos. O último aumento do salário mínimo, para o equivalente a US$ 270, apenas bastou, segundo ela, para permitir a compra de uma cesta básica de consumo. O país é importador de produtos básicos e, no ano passado, a população foi severamente afetada pelo encarecimento do petróleo e da comida. Os preços de alguns alimentos chegaram a subir 110%.

 

A ministra e o presidente do BC atribuíram a deposição do governo a grupos descontentes com as políticas sociais. Meios de comunicação atacaram duramente o governo e o caluniaram, disse Edwin Araque, "mas o governo foi tolerante".

 

A ministra vive atualmente na Cidade do México e o presidente do BC, em Washington. Moram nas residências oficiais das embaixadas, pertencentes a Honduras, e vivem com a ajuda de governos pró-Zelaya. A viagem de ambos à Turquia foi financiada pelo FMI e pelo Bird, uma prática normal. Estão hospedados no Hotel Elite, de quatro estrelas, certamente em melhores condições de limpeza que as dezenas de pessoas abrigadas na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

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