'Fomos vítimas da xenofobia', diz pai de torturada na Suíça

Advogada atacada perto de Zurique teve sigla de partido xenófobo marcada no corpo e perdeu bebês

Denise Chrispim Marin e Rui Nogueira, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2009 | 07h14

Fotos: Divulgação  BRASÍLIA - O ex-professor universitário e assessor parlamentar Paulo Oliveira, pai da brasileira Paula Oliveira, atacada por três skinheads na Suíça, disse na quarta-feira 11, ao Estado que está "chocado". Paulo desembarcou na manhã de ontem em Zurique. "O obstetra cuida das sequelas do aborto sofrido pela Paula e hoje à tarde (ontem) o hospital convocou-a para tomar um coquetel antiviral", contou. O Itamaraty recomendou à cônsul-geral do Brasil na Suíça, Vitória Clever, que pressione as autoridades. O Brasil só fará um protesto oficial se confirmada a motivação neonazista do grupo. A seguir os principais trechos da entrevista:     Veja também:Advogada brasileira é atacada por skinheads na Suíça O que o sr. sentiu quando viu o estado em que ficou sua filha?Fiquei completamente chocado. Fui professor universitário durante dez anos e acompanhei esses movimentos que, em tempos de crise, por serem geneticamente xenófobos, partem para esse tipo de agressão. É um filme já visto, principalmente na Europa, está tudo nos livros de História e a gente espera que isso nunca nos atinja. Mas fomos atingidos por essa xenofobia nazista.Já falou com a polícia?Eu não fui à polícia, mas conversei com a embaixadora (Vitória Clever). A polícia não se mexeu. Uma das siglas tatuadas no corpo da minha filha é de um dos partido do governo. Não sei se esse mutismo da polícia é o estilo helvético de trabalhar ou se é decorrência dos sinais de embaraço administrativo da polícia com a política. Uma conveniência.Como assim?A polícia mostrou-se mais preocupada em questionar a minha filha sobre se não havia sido ela que se mutilou. Se aquilo era real ou tinha sido fabricado. Como pode! Ela ficou em estado de choque, sofreu um aborto e perdeu as gêmeas. A Paula estava falando com a mãe ao telefone celular e acho que isso (falar em português) pode ter sido o gatilho que atraiu os agressores. Mas as torcidas organizadas (neonazistas) estavam claramente atrás do time adversário.Mas a polícia não prestou nenhum tipo de esclarecimento nem à diplomacia brasileira?Não. A embaixadora pediu verbalmente esclarecimentos, mas a polícia negou-se a dar informações. Exigiram que ela fizesse a solicitação por escrito. Ela já fez. O Itamaraty foi mobilizado pelo senador Marco Maciel (DEM-PE) e pelo deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE).Quais serão os próximos passos?Levar minha filha o mais rapidamente para o Brasil, lá pelo dia 19 ou 20, onde espero que ela descanse e se recupere do choque. Até porque, diante do comportamento da polícia suíça, não acho seguro ela ficar em Zurique enquanto os agressores não tiverem sido pelo menos identificados.O que o governo brasileiro pode fazer mais?Só o nosso Itamaraty tem instrumentos legais para cobrar de um governo estrangeiro o esclarecimento da agressão. Essa xenofobia, em qualquer lugar do mundo, só tem cura sendo denunciada e combatida publicamente. var keywords = "";

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