Força Aérea não confirma envio de príncipe William às Malvinas

Argentina protesta contra o suposto treinamento militar no território disputado entre os dois países

Agências internacionais,

03 de fevereiro de 2009 | 13h32

A Força Aérea britânica (RAF) "ainda não tomou uma decisão" de enviar o príncipe William, filho mais velho do príncipe Charles da Inglaterra, às ilhas Malvinas, afirmou nesta terça-feira, 3, um porta-voz da corporação no Ministério da Defesa em Londres.   O porta-voz respondeu a uma informação publicada na segunda-feira no jornal Daily Telegraph, que citava um artigo da RAF News e indicava que o príncipe prestaria serviço durante três meses nas Malvinas, cuja soberania é reivindicada pela Argentina. Segundo a fonte, é prematuro saber onde o príncipe será destinado, já que William atualmente faz um curso de preparação como piloto de helicópteros do serviço de busca e resgate (SAR).   O governo argentino criticou o anuncio do serviço militar no território disputado, afirmando que a ação evidencia a continuidade da ocupação militar do país em um arquipélago cuja soberania é reivindicada por Buenos Aires. "Esta circunstância só serve para pôr mais uma vez em evidência a contínua presença militar britânica em espaços terrestres e marítimos que fazem parte do território argentino", disseram fontes oficiais.   Caso seja enviado ao Atlântico Sul, William - de 26 anos e segundo na linha de sucessão à Coroa britânica - será o primeiro membro da família real a viajar para as Malvinas como membro na ativa das Forças Armadas desde a guerra contra a Argentina, em 1982. A informação publicada pela "RAF News", um site de uso interno da RAF e do Ministério da Defesa, leva como título "Wills enfrenta dura prova das Falklands (como as Malvinas são chamadas pelo Reino Unido) em sua estreia de busca e resgate", e nela assegura que o príncipe está muito interessado em participar desta missão.     Na segunda-feira, uma porta-voz de Clarence House, residência oficial de Charles da Inglaterra, tinha indicado que se tratava de um "assunto militar", pelo que não podia fazer comentários a respeito.   A disputa entre o Reino Unido e a Argentina pela soberania das ilhas Malvinas começou em 1833, quando o Exército inglês se estabeleceu no território até então sob jurisdição argentina. A tensão entre os dois países acabou na Guerra das Malvinas, que se estendeu de abril a junho de 1982 e acabou com a rendição da Argentina. Apesar da derrota, Buenos Aires nunca deixou de reclamar sua soberania sobre as ilhas. Um total de 8.000 argentinos participaram dos conflitos nos quais 649 soldados da Argentina e 255 soldados britânicos foram mortos.   As ilhas possuem um destacamento permanente de 600 soldados britânicos. Com frequência, os pilotos são mandados para a região para testar sua destreza em situações climáticas adversas. Segundo o jornal espanhol El País, uma recente investigação geológica apontou que o território esconde uma enorme reserva de petróleo. A extração de hidrocarbonetos nas ilhas está prevista para começar no fim deste ano.

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