Forças da ONU tentam deter onda de violência no Haiti

Presidente sinaliza com corte nas taxas de importação de alimentos para diminuir protestos

Agências internacionais

09 de abril de 2008 | 15h05

As forças de paz da Organização das Nações Unidas intervieram novamente nesta quarta-feira, 9, para tentar deter a onda de violência e saques no Haiti. Os protestos são motivados pela alta no preço dos alimentos.      Veja também: Especial sobre a crise de alimentos Brasil promete enviar 14 toneladas de alimentos ao Haiti O professor Paulo Edgar Almeida Resende opina sobre a crise    Os soldados da ONU lançaram bombas de gás lacrimogêneo e dispararam para o alto para tentar evitar que os manifestantes alcançassem o palácio presidencial. Ainda não há informações sobre vítimas.   A capital do Haiti, Porto Príncipe, foi paralisada por protestos. Helicópteros sobrevoaram as áreas onde os manifestantes queimavam pneus. Também foram registrados conflitos em outras regiões do país.   A intervenção das forças de paz das Nações Unidas não foi o suficiente para acabar com o caos nas ruas de Porto Príncipe. Nesta quarta-feira, bandos de pessoas armadas com paus e pedras fizeram barricadas nas ruas da capital do Haiti, Porto Príncipe.   Multidões invadiram lojas e repartições públicas. Os negócios ficaram fechados e poucos carros trafegavam pelas ruas.    Em seu primeiro pronunciamento desde o início dos protestos, há uma semana, o presidente René Préval solicitou ao congresso que corte as taxas de importação de alimentos e pediu aos manifestantes que voltassem para casa. "A solução não é sair às ruas e destruir lojas", disse Préval.   O governo anunciou também um pacote milionário de investimentos na agricultura e em infra-estrutura para criar empregos e aumentar a produção de alimentos.   O apelo de Préval, no entanto, não conseguiu restaurar a ordem no país. Muitos dos manifestantes continuam pedindo a renúncia do presidente.   Desde o início da onda de violência, pelo menos cinco pessoas foram mortas e mais 60 ficaram feridas, segundo dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.   Por causa da violência, a embaixada dos Estados Unidos suspendeu os serviços normais nesta quarta-feira e alertou os cidadãos americanos a ficarem em casa. Os edifícios da embaixada foram atingidos por pedras na última terça-feira.   País mais pobre das Américas, o Haiti tem 80% de sua população vivendo com menos de US$ 2 por dia. Poucos têm empregos fixos. A alta no preço dos alimentos é fruto de uma combinação de alta nos combustíveis e o uso de terras cultiváveis para a produção de biocombustíveis, entre outros fatores.     Atualizada às 22h20

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