Forças de segurança da Venezuela reprimem manifestação estudantil

Estudantes protestavam contra nova lei que amplia controle do governo sobre universidades

EFRAIN OTERO, REUTERS

23 de dezembro de 2010 | 20h37

   

 

CARACAS- As forças venezuelanas de segurança dispararam jatos d'água e balas de borracha para dissolver centenas de estudantes que protestavam nesta quinta-feira, 23, contra uma nova lei que amplia o controle governamental sobre as universidades.

 

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A medida, aprovada durante a madrugada, é parte do pacote de leis aprovado pelo governo de Hugo Chávez no final da atual legislatura, antes que tome posse a nova Assembleia Nacional eleita em setembro, na qual a oposição ocupará cerca de 40% das vagas.

Esses estudantes dizem que a lei dá poderes demais ao governo, visa à promoção da ideologia socialista e será usada para reprimir universidades autônomas, tradicionais centros de oposição à "revolução" promovida pelo esquerdista Chávez.

Em mais um de uma série de pequenos protestos contra as novas leis, cerca de 500 estudantes se reuniram no centro de Caracas, alguns deles com cartazes com dizeres como "Não vamos obedecer à sua lei!", ou "Troco o Natal por liberdade".

 

 

Eles foram confrontados pela tropa de choque da Guarda Nacional, e uma fonte da Reuters viu confrontos que chegaram a bloquear uma importante avenida. Um fotógrafo de outra agência de notícias levou uma pedrada na cabeça.

Em outro ponto da cidade, estudantes chavistas celebraram a aprovação da lei, destruindo um exemplar do antigo estatuto universitário.

A oposição acusa Chávez de estar usando o final da legislatura para realizar um "golpe de Estado", com a aprovação de medidas que concentram poderes nas mãos do presidente. A mais polêmica delas é a chamada "Lei Habilitante", que confere a Chávez a autoridade para governar por decreto durante 18 meses.

Chávez nega estar levando o país para a direção do autoritarismo, e o governo diz que a reforma universitária é essencial para desenvolver o ensino superior e envolver entidades comunitárias no processo decisório.

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