Forte tremor secundário assusta população no Peru

Sismo de magnitude 6 ocorre dois dias após terremoto que deixou ao menos 510 mortos.

Michelle Marinho, BBC

17 de agosto de 2007 | 12h49

Um tremor de magnitude 6 na escala Richter sacudiu o Peru na manhã desta sexta-feira, menos de dois dias depois de o país ter sido atingido por um grande terremoto (de magnitude 7,9) que deixou pelo menos 510 mortos. Na capital Lima, o sismo foi sentido com forte intensidade e voltou a alarmar a população que ainda se recupera do ocorrido na quarta-feira.O tremor foi rápido, durou menos de 20 segundos e faz parte dos tremores secundários, também chamados de réplicas, comuns depois de um grande terremoto. Os tremores secundários podem durar semanas até que a atividade sísmica volte a se tornar "normal" para a região. Mais de 380 tremores foram sentidos em todo o país desde a quarta-feira, vários deles com intensidade suficiente para preocupar os peruanos. Só nesta sexta-feira em Pisco, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto de quarta-feira, foram registrados quatro movimentos com magnitude superior a 4 na escala Richter.Os tremores secundários dificultam ainda mais as operações de resgate no sul do Peru, região mais atingida, e a normalização da vida dos moradores, que já enfrentam falta de água e energia elétrica.Também começa a faltar comida no sul do país. Os hospitais da região estão lotados e os feridos mais graves são trazidos de helicóptero para a capital Lima.Em Pisco, moradores ainda enfrentaram o frio durante a noite, a segunda que passaram ao relento. Alguns desabrigados foram levados para o estádio da cidade. A principal praça local, ponto de encontro dos moradores no fim de semana, agora é usada como local para identificar os corpos das vítimas.O Corpo de Bombeiros trabalha sem parar, mas as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem à medida que o tempo passa. Em Ica, as equipes de resgate continuam os esforços na igreja que desabou durante uma missa. A estimativa é que ainda haja 40 pessoas entre os escombros. As rachaduras profundas que se formaram na estrada Panamericana, que corta todo o continente, impedem o acesso das equipes e dos caminhões com alimentos e remédios por terra. A ajuda está chegando pelo aeroporto, um dos únicos lugares iluminados da região, ou em barcos.As aulas nos colégios da região continuam suspensas.O presidente da República, Alan García, vem recebendo duras críticas. Apesar de o Peru se encontrar em constante atividade sísmica, alguns especialistas acham que o governo não estava preparado para enfrentar um terremoto como o de quarta-feira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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