Fracassa tentativa de acordo entre Morales e seus opositores

Governo deve agora tentar aprovar a lei de convocação do referendo sobre Constituição via Congresso

Efe,

05 de outubro de 2008 | 22h49

O governo e a oposição regional da Bolívia terminaram sem acordo neste domingo, 5, as conversas de três semanas, deixando nas mãos do Congresso Nacional a possível convocação de um referendo para aprovar uma nova Constituição socialista impulsionada pelo presidente Evo Morales.Após mais de dez horas de reunião em Cochabamba (centro), os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Tarija e Chuquisaca não assinaram o documento apresentado por Morales para tornar viável a convocação do referendo constitucional e aprovar os avanços conseguidos nas mesas técnicas do processo de diálogo.A proposta do presidente foi rubricada pelos cinco governadores regionais de Oruro, Potosí, La Paz, Cochabamba e Pando, todos governistas e os três últimos interinos.Embora o governo Morales não tenha dado por encerrada "esta etapa de diálogo", os governadores regionais opositores consideraram culminado este processo, iniciado no dia 18 de setembro após a onda de violência que sacudiu o país.Segundo explicou o ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, o governo acudirá agora ao Congresso Nacional, "com o mesmo ânimo de buscar acordos", para que se aprove a lei de convocação do referendo sobre a nova Constituição.Romero explicou que, apesar da recusa dos governadores regionais de assinar um acordo, o governo mantém sua vontade de recolher "suficientemente" no novo texto constitucional as "observações" das regiões autonomistas."O governo nacional quer deixar claramente estabelecido perante o povo boliviano que podemos trabalhar um novo capítulo de organização territorial do estado incluindo as autonomias departamentais no projeto constitucional", destacou o ministro.No entanto, o bloco opositor autonomista ressaltou perante os jornalistas que não fechou nenhum tipo de acordo com o governo nem sobre este tema nem sobre a repartição das rendas do petróleo.De fato, o porta-voz dos governadores autonomistas, o de Tarija Mario Cossío, destacou que o acordo nacional não foi possível porque o governo não satisfez suas reivindicações.Cossío admitiu que a principal divergência se centra na impossibilidade de abrir o debate sobre a nova Constituição em outros aspectos à parte da questão autônoma.Apesar do fracasso do processo de diálogo, os governadores opositores se mostraram satisfeitos que pelo menos esta etapa de negociação tenha servido para pacificar o país.

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