Fracasso de resgate deve deixar reféns das Farc no limbo

Depois do fracasso da operação para aentrega de reféns, o governo da Colômbia e os rebeldesmarxistas devem endurecer suas posturas de negociação, o queprovavelmente deixará as vítimas de sequestro em um limbo. Mediado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o planopara libertar duas reféns e uma criança havia suscitadoesperanças de que o grupo maior de sequestrados -- alguns háquase uma década -- fosse finalmente libertado. Entre as refénsestá a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, capturadaquando era candidata à Presidência da Colômbia. Mas a operação de resgate desmoronou na segunda-feira, emmeio a uma guerra de acusações entre Chávez e o presidentecolombiano, o conservador Alvaro Uribe. Chávez acusa Uribe deter dado ordens para operações militares próximas ao supostocativeiro. Uribe nega. Para analistas, agora será muito difícil retomar asnegociações. "Os reféns vão provavelmente passar anos mais naselva antes que haja novos esforços para tentar libertá-los",afirmou o analista político Daniel Coronell na terça-feira. O plano previa a libertação de Consuelo González, ClaraRojas e o filho dela, Emmanuel, de cerca de quatro anos, quenasceu em cativeiro e é também filho de um dos sequestradores. Rojas foi sequestrada junto com Betancourt durante acampanha delas, em 2002, e González foi capturada em 2001. Aguerrilha havia prometido entregar os três a Chávez ou a algumrepresentante dele. Uribe concordou relutantemente em permitir que helicópterosvenezuelanos com a marca da Cruz Vermelha entrassem emterritório colombiano para recolher os reféns. Quando o tratofracassou, Chávez acusou Uribe de sabotagem. O líder colombianodevolveu a acusação insinuando que Emmanuel nem estaria com ossequestradores. O pai de Uribe foi morto em uma tentativa de sequestropelas Farc há 20 anos. "Com a profunda desconfiança entre Chávez e Uribe e entreUribe e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia),qualquer empenho futuro para libertar reféns exigirá um esforçointernacional mais amplo", disse Mauricio Romero, do CentroInternacional para a Justiça Transicional, com sede em Bogotá. "Ajudaria se os Estados Unidos se envolvessem mais nasnegociações para contrabalançar a influência de governos deesquerda como o da Venezuela e o da Argentina", disse Romero."Isso daria a Uribe mais segurança." Os EUA vêm se mantendo discretos na questão. Já opresidente da França, Nicolas Sarkozy, transformou o problemaem uma prioridade de sua política externa. (Edição de Kieran Murray)

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