França aguarda com expectativa chegada de Ingrid Betancourt

Viagem de ex-refém franco-colombiana é gesto de gratidão por esforço do presidente francês para libertá-la

BBC,

04 de julho de 2008 | 07h37

O governo francês confirmou que a política colombiana Ingrid Betancourt chegará a Paris nesta sexta-feira à tarde, por volta das 16h no horário local (11h em Brasília), acompanhada de sua família, e será recebida no aeroporto militar de Villacoublay, nos arredores de Paris, pelo presidente Nicolas Sarkozy.   Veja também: Rebeldes podem ser extraditados aos EUA Refém enfermeiro cuidou da saúde de Ingrid  'Fiquei acorrentada 24 horas por dia durante 3 anos' Ingrid diz apoiar terceiro mandato presidencial de Uribe Reféns contam como era o dia-a-dia O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre Ingrid   O esforço foi descrito pela própria Ingrid - que tem cidadania francesa - como um gesto de gratidão a quem mais a ajudou a deixar o cativeiro: "Quero saudar Sarkozy e lhe dizer que o admiro e lhe devo o fato de estar livre hoje." Suas palavras mostram a intensidade do sucesso diplomático do controverso líder francês. A liberdade de Ingrid foi transformada em bandeira por Sarkozy em maio de 2007, em seu primeiro discurso como presidente: "A França não abandonará Ingrid". "Vamos recebê-la com Carla (Bruni, primeira-dama) quando ela chegar", disse Sarkozy nesta quinta-feira, durante uma visita à região da Borgonha. A expectativa em relação à chegada de Ingrid Betancourt à França é grande. Ela se tornou no país uma espécie de ícone, um símbolo do drama de reféns em todo o mundo.   Ingrid Betancourt, que tem dupla cidadania colombiana e francesa, foi resgatada nesta quarta-feira pelo Exército colombiano de um cativeiro na selva, onde era mantida refém do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) havia mais de seis anos.   A assessoria do Palácio do Eliseu informou à BBC Brasil que o aeroporto militar de Villacoublay, por onde transitam personalidades do governo e chefes de Estado convidados, foi escolhido por razões de segurança.   Após ser recebida pelo presidente e pela primeira-dama, Ingrid deverá participar de um encontro no Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França, que terá a presença de membros dos comitês franceses de apoio a sua libertação, segundo comunicado da Presidência. Em entrevista à imprensa francesa, Ingrid afirmou que "deverá ficar alguns dias no país".   Comemoração   Nos últimos anos, inúmeras personalidades, artistas e cidadãos franceses comuns se mobilizaram para obter a libertação de Ingrid. A França toda, da capital às pequenas cidades, celebrou nesta quinta-feira a libertação da franco-colombiana.   Sinos tocaram, como no vilarejo de Saint-Lieux-Lafenasse, no sudoeste da França, e, em cidades maiores, como Estrasburgo, Lyon, Marselha e Paris, centenas de pessoas se reuniram em frente às prefeituras para celebrar o fim do seqüestro. Em Paris, a comemoração teve um discurso do prefeito, Bertrand Delanoë.   A foto de Ingrid Betancourt está exposta há vários meses em frente ao prédio da prefeitura da capital. Nesta quinta-feira, foi colocada uma faixa com a inscrição "livre" sobre a foto. Hervé Marro, porta-voz do comitê de apoio à libertação de Ingrid Betancourt, disse ao jornal Le Monde que será a própria ex-refém que irá retirar sua foto da fachada da prefeitura de Paris.   Agenda   Ainda não há maiores detalhes sobre a agenda de Ingrid na França. Um deputado do Partido Verde pediu que a ex-senadora fosse convidada a fazer um discurso no Parlamento.   O secretário-geral da Presidência, Claude Guéant, afirmou nesta quinta-feira que as autoridades francesas foram informadas sobre a libertação de Betancourt e dos demais reféns "15 minutos antes que as agências colombianas de notícias divulgassem a informação".   O presidente colombiano, Álvaro Uribe, telefonou a Sarkozy para comunicar a notícia. "Não esperávamos por um desfecho nesse momento preciso. Mas não ficamos surpresos, porque a idéia da operação havia sido comunicada pelas autoridades colombianas há vários meses", afirmou Guéant.   (Com Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo)

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