França quer retomar mediação de Chávez com as Farc

Colômbia suspende diálogo de Chávez com guerrilheiros para a libertação de reféns mantidos pelo grupo

Agências internacionais,

22 de novembro de 2007 | 10h14

A França tentará convencer a Colômbia a permitir a mediação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no caso dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o porta-voz do governo de Paris, o embaixador francês na Colômbia apresentará ao chefe de governo colombiano, Álvaro Uribe, uma carta do presidente Nicolas Sarkozy com o apelo.   Veja também: Colômbia encerra missão de Chávez com Farc   A Colômbia suspendeu na quarta-feira a mediação do presidente da Venezuela com o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano, por meio da qual se pretendia avançar para a libertação de um grupo de reféns seqüestrados, que inclui a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de nacionalidade franco-colombiana.   "Continuamos pensando que o trabalho de Chávez é a melhor opção para a libertação dos reféns", disse o porta-voz do Palácio do Eliseu, David Martinon, acrescentando que a reunião de dois dias atrás entre os presidentes foi "satisfatória".   Em Paris, o venezuelano também se reuniu com os familiares de uma das seqüestradas, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. O ex-marido de Ingrid Betancourt lamentou o fim da mediação. Fabrice Delloye, considerou a notícia "dramática". Para ele, a mediação de Chávez e da senadora Piedad Córdoba, também afastada do processo, era "necessária para chegar a um acordo humanitário" sobre os 45 reféns nas mãos das Farc.   Astrid Betancourt, irmã da ex-candidata Ingrid, seqüestrada desde 2002 pelas Farc, pediu ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, que demonstre "humanidade" e reconsidere a decisão de pôr fim à mediação venezuelana. Astrid fez um apelo à comunidade internacional para que convençam Uribe sobre a necessidade de manter a mediação de Chávez e Córdoba, que receberam a incumbência diretamente do presidente colombiano.   A suspensão da mediação, segundo analistas, também pode provocar tensões entre Venezuela e o governo colombiano, que autorizou em agosto que o presidente Chávez agisse como mediador.   A decisão foi tomada depois que Chávez, por intermédio da senadora Córdoba, se comunicou por telefone com o comandante do Exército da Colômbia, general Mario Montoya, ao qual fez perguntas sobre os seqüestrados em poder das Farc. Uribe e Chávez tinham acertado recentemente em Santiago, durante a Cúpula Ibero-Americana, que a questão dos reféns seria tratada pessoalmente e sem utilizar outros canais de comunicação, explicou o governo colombiano.

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