França teria pago por libertação de Ingrid em 2003, diz TV

Emissora colombiana afirma que mediador francês foi enganado durante negociações pela soltura da ex-refém

Efe,

08 de julho de 2008 | 07h21

Uma mensagem achada no computador de Raúl Reyes, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) morto em março deste ano, mostra que o mediador francês para uma eventual troca de reféns com a guerrilha, Noel Saez, foi enganado em 2003, quando pagou pela libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt, revelou na segunda-feira, 7, a imprensa local.  Veja também:Ingrid tentou fugir para o Brasil a nado, diz ex-refémUribe ganha apoio para 3º mandato  O drama de IngridPor dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Cronologia do seqüestro de Ingrid BetancourtLeia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid BetancourtO seqüestro de Ingrid Betancourt  Em um e-mail encontrado num dos computadores de Reyes - divulgado pela rede de TV RCN -, o líder rebelde diz não entender o motivo do pagamento do resgate, já que os rebeldes não deram garantias da libertação nem confirmaram a identidade dos que seriam soltos. "São inexplicáveis as razões que vocês tiveram para entregar o dinheiro pela libertação de Betancourt sem antes terem as identidades (confirmadas) e as garantias" da troca, diz uma mensagem que Reyes enviou ao mediador francês com cópia para o então chefe das Farc, Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda". A reportagem lembra ainda que, entre 9 e 13 de julho daquele ano, uma semana antes do envio da mensagem de Reyes, apelido de Luis Edgar Devia, um avião militar francês permaneceu na cidade de Manaus, no Brasil, à espera da suposta libertação da ex-candidata à Presidência da Colômbia. As autoridades agora investigam quem enganou Saez, quanto foi pago por Betancourt e quem fez a entrega do dinheiro, disse a RCN. "Sou Ingrid Betancourt" A ex-refém gravou várias mensagens de rádio que serão transmitidas por emissoras e megafones nas selvas do sul colombiano, nas quais pede que os rebeldes da guerrilha abandonem as armas, informaram na segunda-feira, 7, fontes oficiais. Antes de viajar à França, Ingrid gravou as mensagens que serão transmitidas de maneira contínua no departamento de Guaviare, onde foi ela foi resgatada, e em outras regiões do país. As mensagens fazer parte de uma intensa campanha criada pelo governo colombiano em 2002 para que guerrilheiros se desmobilizem. Até o momento, mais de 10 mil rebeldes abandonaram as armas. Ingrid Betancourt foi resgatada na quarta-feira passada pelo Exército da Colômbia junto com outros 14 reféns (três americanos e onze policiais e militares). "Guerrilheiros, sou Ingrid Betancourt. Vocês que estão ouvindo, a vida de seus comandantes foi respeitada e a de vocês também será com mais razão se houver desmobilização", disse a política franco-colombiana em uma das gravações que faz referência aos guerrilheiros que foram detidos na operação que a resgatou. As mensagens aproveitam ainda para convidar os rebeldes que estão na região para melhorar suas condições de vida e voltar a viver com suas famílias. "Estou os esperando, garantimos que vocês viverão melhor, recuperarão suas famílias, sua honra, sua liberdade". Em Paris, Ingrid pediu que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, contenha a "linguagem do ódio" ao referir-se aos guerrilheiros e defendeu o diálogo com as Farc. "Chegamos a um momento em que se deve mudar esse discurso radical, extremista, de ódio, de palavras muito fortes", afirmou Ingrid, que deverá ser condecorada com a Legião de Honra na França. Ingrid também afirmou que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, será essencial para o processo de paz na Colômbia. "As Farc o escutam", explicou a ex-candidata.

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