Franco diz que relação internacional não é prioridade do Paraguai

O presidente paraguaio, Federico Franco, que assumiu o cargo após o polêmico impeachment de Fernando Lugo, disse nesta terça-feira que a sua prioridade é organizar a situação interna antes de restabelecer os laços com os países vizinhos, que em alguns casos não reconhecem o seu governo.

REUTERS

26 de junho de 2012 | 19h45

Os países sul-americanos estabeleceram um cerco diplomático ao Paraguai por considerar que a saída de Lugo do poder constitui uma ameaça à democracia e muitos qualificaram o processo de impeachment, consumado em menos de dois dias, como uma ruptura da ordem institucional.

Franco também afirmou que o Brasil, com grande influência na política regional, deveria consultar os brasileiros residentes no Paraguai antes de tomar decisões, pois garantiu que eles apoiam o novo governo do país sul-americano.

"Se eu dissesse que minha prioridade é a comunidade internacional estaria mentindo. Hoje tenho que arrumar a casa, transmitir tranquilidade daqui para o mundo internacional", disse Franco a jornalistas em entrevista coletiva na sede do governo.

"Logo sim, prometo e me comprometo que vamos fazer todo o esforço para demonstrar à comunidade internacional e em particular à região que este é um governo absolutamente democrático", acrescentou.

O Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, suspendeu a participação de representantes do governo de Franco em uma cúpula que acontecerá na sexta-feira na província argentina de Mendoza.

Ainda, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que tentou encontrar uma saída para a crise antes que terminasse o processo de impeachment de Lugo, fará uma reunião de emergência no mesmo dia para analisar a situação paraguaia.

Franco disse que seu governo não retaliará eventuais sanções de seus vizinhos, embora tenha ressaltado a importância estratégica do relacionamento com a Argentina e o Brasil, seu principal sócio comercial e com quem compartilha a hidrelétrica de Itaipu.

A Argentina retirou o seu embaixador em Assunção e a presidente Cristina Kirchner disse que o que aconteceu no Paraguai foi um golpe de Estado.

"Com ela (Cristina) vou ter um tratamento especial. Não vão conseguir uma só palavra contra ela. Vou fazer todo o esforço para que a senhora Cristina entenda", disse Franco.

O presidente, que empossou o novo ministro da Fazenda, Manuel Ferreira, disse que irá ao Congresso na quarta-feira para apresentar a equipe econômica e negociar a aprovação de importantes projetos econômicos para a sua gestão.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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