Frei Betto: 'Ilude-se quem pensa que Cuba será capitalista'

Autor do livro 'Fidel e a Religião' diz que Raúl Castro será confirmado no comando e socialismo, aperfeiçoado

Gisele Silva, do estadao.com.br,

19 de fevereiro de 2008 | 18h19

Autor do livro Fidel e a Religião e figura próxima ao líder cubano, o teólogo Frei Betto é enfático ao dizer que Cuba não se tornará um país capitalista com a saída do "comandante em chefe" do poder, anunciada nesta terça-feira, 19, no Granma (jornal oficial). Ao contrário. Segundo ele, o país deverá "aprimorar o sistema socialista" sob o comando de Raúl Castro, irmão de Fidel.   Veja também: Ouça entrevista com Frei Betto  Após 49 anos no poder, Fidel Castro renunciaRenúncia não retira caráter de mito, diz Lula Raúl Castro torna-se guardião da revolução A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   Fidel Castro: herói ou vilão?  Você acha que o regime em Cuba mudará? Leia cobertura completa da renúncia de Fidel    "Isso não significa retrocesso. Iludem-se aqueles que pensam que com isso Cuba agora voltará a ser um país capitalista dentro da órbita do capitalismo. Até porque quando os cubanos olham ao redor, não querem que o futuro Cuba seja o presente de algo parecido com Honduras, Guatemala, e demais países da América Latina", afirma.   Frei Betto diz ainda que Raúl será eleito para o lugar de Fidel neste domingo, quando se reúne a Assembléia Nacional renovada para decidir quem ficará no comando do país. Fidel, afastado do poder desde 31 de julho por problema de saúde, renunciou à reeleição nesta terça. Antes já havia transferido o poder temporariamente a Raúl.   O religioso não estava surpreso com a decisão do líder cubano. "A saída significa o cuidado que ele (Fidel) tem que dar à própria saúde. Significa que ele prefere deixar que gente mais jovem e com melhor disposição física assuma a frente do governo de Cuba. Isso era esperado já se comentava isso desde o ano passado", afirmou.   Frei Betto, que chegou de viagem a Havana na última sexta-feira, onde participou de um congresso, diz que no país "não há nenhum sintoma. Nenhum setor organizado da sociedade cubana que queira o fim do socialismo. Nem os bispos católicos. Eles querem aprimorar aquele sistema. E gostariam que Cuba superasse suas dificuldades. A começar, gostariam que o governo dos EUA suspendesse o bloqueio imposto a Cuba há mais de 40 anos".   Questionado se a História absolverá Fidel, Frei Betto respondeu: "Tenho certeza que não só absolverá, como não tem por que ele tenha sido condenado. Absolvição supõe que alguém tenha sido condenado, e Fidel não foi".   (Com Reuters) 

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