Frustração cresce no Haiti por falta de coordenação na ajuda

Segundo haitianos, entrega de ajuda humanitária continua irregular e é corrompida por autoridades locais

Efe,

03 de fevereiro de 2010 | 19h59

Manifestantes protestam contra 'roubo' de arroz por autoridades em Petion Ville, na capital. Foto: Andres Leighton/AP

 

PORTO PRÍNCIPE- A frustração é crescente em Porto Príncipe na medida em que passam os dias e a distribuição de comida e provisões continua deficiente, situação que Governo e oposição concordam no Haiti.

 

Centenas de pessoas se reuniram nesta quarta-feira, 03, no bairro de Petion Ville para demonstrar sua insatisfação porque, passadas três semanas desde o terremoto, a entrega de ajuda é irregular, não atende as necessidades da população e, segundo os desabrigados, não está funcionando.

 

O ato desta quarta só confirma que os esforços não estão superando os problemas de coordenação entre os organismos de ajuda humanitária que chegaram ao país para dar resposta à crise gerada depois do tremor. A isso se somam as denúncias de corrupção no manuseio da ajuda humanitária por parte das autoridades locais.

 

Segundo os manifestantes de Petion Ville, o responsável municipal pelo bairro exige dinheiro dos desabrigados em troca de cupons para conseguir um saco de arroz.

 

A denúncia se repete em outros locais, como no Estádio Nacional, próximo do Palácio Presidencial, onde

VEJA TAMBÉM:
video Assista a análises da tragédia
mais imagens As imagens do desastre
blog Blog: Gustavo Chacra, de Porto Príncipe
especialEntenda o terremoto
especialInfográfico: tragédia e destruição
especialCronologia: morte no caminho da ONU
lista Leia tudo que já foi publicado
refugiados acusam os administradores de desviarem a ajuda. "Não chega nada até nós, mas há pessoas vendendo mercadorias e ganhando dinheiro com isso", disse à agência Efe Scott Gérard, um dos desabrigados.

 

Partidos da oposição ressaltaram nesta quarta a frustração gerada pela incapacidade do governo de responder à crise, mas também pela falta de coordenação na distribuição da ajuda.

 

"A comunidade internacional não facilitou as coisas, as diferentes agências não se entendem entre si, cada uma trabalha sozinha, sem coordenação", disse à agência Efe o opositor Rony Smarth, da social-democrata Organização do Povo em Luta (OPL).

 

Smarth considerou que o governo de René Préval deveria ser reforçado com a entrada de "elementos" de outros partidos ou técnicos, para enfrentar o atual momento de crise no país.

 

Paralelamente, os contingentes de ajuda continuam chegando escoltados por capacetes azuis no momento da entrega, embora as agências da própria ONU e, em menor escala, ONGs como Oxfam tentem distribuir as doações sozinhos.

 

Um dos meios alternativos de ajuda á população é o "salário em troca de trabalho", que coloca dinheiro na mão das pessoas para que elas comprem comida, vendida de maneira completamente caótica em quase todas as ruas da capital haitiana.

 

"Conseguimos atingir no final da semana passada a 32 mil pessoas e esperamos chegar as 100 mil em breve", indicou à Efe o porta-voz da missão do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Adam Rogers.

 

Com salários de US$ 5 por dia, uma quantia que se ajusta à média nacional, é possível injetar dinheiro na economia, além de envolver dezenas de milhares de haitianos nos trabalhos de limpeza e remoção de escombros.

 

Missionários

 

Enquanto isso, nos escritórios da Polícia Judiciária, transformados em sede governamental após o terremoto, dezenas de meios de comunicação aguardam para saber o destino dos dez americanos que estão sendo investigados por uma suposta tentativa de sequestro de 33 crianças.

 

"Não sabemos quanto tempo vai demorar, já tomaram depoimento de cinco pessoas e agora estão ouvindo outras cinco", indicou à Efe a ministra haitiana de Comunicação, Marie-Laurence Lassegue.

 

Na terça, cinco deles prestaram depoimentos, começando pelas mulheres. Nesta quarta, os outros cinco integrantes do grupo foram interrogados sobre o episódio do último sábado, por terem tentado tirar do país 33 crianças haitianas.

 

De acordo com fontes consultadas pela Efe, grande parte dos familiares das crianças alegaram que um pastor ofereceu um futuro melhor para seus filhos após o terremoto que acabou com a vida de pelo menos 200 mil pessoas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.