Fujimori assume própria defesa e rejeita 'guerra suja'--advogado

Alberto Fujimori assumirá na quarta-feira sua própria defesa no julgamento que enfrenta e afirmará que a política de seu governo contra a subversão não causou uma "guerra suja", como alegam seus acusadores, disse nesta terça-feira o advogado do ex-presidente peruano.

REUTERS

31 de março de 2009 | 16h39

Fujimori, que alegará que sua intenção era pacificar o país, falará quarta e sexta-feira nas últimas audiências do processo em que é acusado de consentir com o assassinato de 25 pessoas, entre elas uma criança, cometido por um esquadrão militar.

Os promotores pedem 30 anos de prisão para Fujimori, de 70 anos, e a sentença pode ser anunciada em meados de abril, para por fim a um dos processos mais importantes na história do país, segundo fontes judiciais.

César Nakazaki, advogado de Fujimori, explicou que seu cliente abordará "dois grandes temas" em sua defesa.

"No primeiro, explicará qual era a situação do Peru quando assumiu o governo, e dizer como o terrorismo e a inflação estavam se desenvolvendo", disse Nakazaki em uma entrevista por telefone à Reuters.

"No segundo tema, justificará sua política contra a subversão, sua prontidão para enfrentar o Sendero Luminoso e o MRTA com o propósito de demonstrar que a política de pacificação era absolutamente incompatível com uma guerra suja", acrescentou, citando o Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA), além do Sendero Luminoso, como grupos rebeldes.

Fujimori foi eleito presidente em 1990, em pleno auge da guerrilha esquerdista Sendero Luminoso e em meio a uma grave crise econômica, com uma hiperinflação de 7482 por cento naquele ano, segundo dados oficiais.

Em sua década no governo, Fujimori realizou um golpe com o apoio dos militares, fechou temporariamente o Congresso e interveio no Poder Judiciário para uma "reestruturação".

Em 1992, conseguiu enfraquecer a guerrilha com a captura do líder do Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, e reduziu drasticamente a guerra interna que em quase 20 anos deixou cerca de 69.000 mortos e desaparecidos, segundo dados oficiais.

Órgãos de direitos humanos afirmaram que a luta contra a guerrilha propiciou abusos aos direitos humanos, em sua maioria contra camponeses pobres dos Andes do país.

(Reportagem de Marco Aquino)

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