Fujimori deve voltar ao Peru nas próximas horas, diz jornal

Ex-presidente, que deve chegar até a manhã de sábado a Lima, é o 1º chefe de Estado extraditado para seu país

Agências internacionais,

21 de setembro de 2007 | 15h13

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori poderá voltar ao seu país na noite desta sexta-feira, 21, logo que as chancelarias Peru e Chile concretizarem o acordo para agilizar sua extradição, afirmou o jornal peruano El Comercio. O caso, sem precedentes, se diferencia dos demais por ser "a primeira vez que um tribunal ordena a extradição de um ex-chefe de Estado a seu próprio país", afirma a ONG Human Rights Watch (HRW). Veja também:Suprema Corte chilena aprova extradição de Fujimori Cronologia do caso Fujimori desde sua chegada ao Chile   Segundo o correspondente do jornal em Santiago, se Fujimori não chegar nesta noite, chega, no máximo, na manhã de sábado. O El Comercio afirma ainda que um grande grupo de jornalistas estão plantados em frente à casa do ex-presidente desde o começo da manhã desta sexta.   Quanto a situação sem precedentes do caso, "após anos fugindo da Justiça, Fujimori finalmente tem de responder às acusações e evidências no país (Peru) que costumava dirigir como um chefe mafioso", afirmou no Chile José Miguel Vivanco, diretor da HRW.   Vivanco afirmou que "a decisão judicial tem um significado especial com relação à própria história do Chile".   "Este marco judicial é um grande passo para o Chile", disse o dirigente, pois "após anos de luta contra o legado de atrocidades de (Augusto) Pinochet, o país está construindo uma base positiva de direitos humanos e justiça".   Oportunidade de retorno   Mas para Fujimori, sua extradição "é uma oportunidade de retorno" ao Peru, assim como de se reencontrar com seu "povo".   Em sua primeira mensagem aos peruanos após a divulgação da decisão judicial, através de uma entrevista à "Radio Programas del Perú" ("RPP"), o ex-líder (1990-2000) lembrou que assim cumpriu seu plano e que demonstrará em seus processos judiciais que agiu corretamente.   Mesmo admitindo na entrevista erros "garrafais" na administração de seu governo, Fujimori afirmou ainda que estimava que a Justiça chilena concederia sua extradição ao Peru apenas por quatro acusações, em vez de sete, como foi aprovada.   "Meu plano foi passar por aqui (Chile) e reduzir substancialmente o número de acusações", disse sobre a decisão tomada no Chile "de reduzir em um terço os crimes" pelos quais será julgado no Peru em relação aos contemplados no pedido de extradição, disse.   Sua entrevista à "RPP" foi a segunda que ofereceu após saber a decisão judicial chilena, já que antes falou em exclusividade para um veículo de comunicação japonês.   Em uma surpreendente decisão que reverteu a sentença proferida por um de seus próprios juízes, a instância jurídica máxima do Chile aceitou a maior parte dos argumentos apresentados pelos procuradores do Peru que tentam levar Fujimori a julgamento.   A corte acatou por unanimidade as argumentações referentes a dois notórios massacres - conhecidos como o massacre de Barrios Altos e o de La Cantuta - ocorridos no começo dos anos 90, quando o Peru encontrava-se em guerra com o temido grupo rebelde Sendero Luminoso.

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