Reuters
Reuters

Fujimori é condenado no Peru a sete anos e meio de prisão

Ex-presidente é acusado de peculato por ter pago US$ 15 milhões a seu ex-chefe de inteligência em 2000

AP e Reuters

20 de julho de 2009 | 16h10

Uma corte peruana condenou nesta segunda-feira, 20, o ex-presidente Alberto Fujimori a sete anos e meio de prisão por peculato. Ele é acusado de ter pago US$ 15 milhões a seu ex-chefe de inteligência Vladimiro Montesinos, em 2000, por serviços prestados durante seu governo. O ex-chefe de Estado parecia tranquilo após a sentença, e disse que irá recorrer da decisão.

 

A condenação é a terceira que ele recebe desde que foi extraditado do Chile - Fujimori já foi condenado a 25 anos de prisão por autorizar o assassinato de pessoas por militares durante seu governo de 10 anos, recebeu outra condenação por abuso de poder e foi sentenciado a seis anos de prisão por uma revista ilegal. As sentenças que condenam a detenção não são acumulativas no Peru.

 

O ex-presidente, de 70 anos, também enfrenta um julgamento por corrupção, acusado de ter autorizado o pagamento de propinas, e outro por escutas telefônicas ilegais. Na última sexta-feira, Fujimori se declarou inocente perante à Corte no processo por peculato, embora tenha dito esperar uma sentença desfavorável por parte de quem busca "aniquilar" o projeto de seu partido político para as eleições gerais de 2011.

 

"Como político entendo que com essa sentença o que se pretende não é ter Fujimori livre, porque isso mudaria totalmente o cenário político do país, não apenas o eleitoral do ano de 2011, mas o cenário atual em que o fujimorismo recuperou um enorme peso específico", afirmou, em um discurso lido como alegação final.

 

O ex-presidente admitiu durante o processo que entregou US$ 15 milhões a Montesinos, atualmente preso em uma base naval, mas negou ter cometido o delito de peculato porque sustenta que restituiu o dinheiro ao Tesouro Público. O dinheiro de fato foi registrado no erário, mas se desconhece de onde saíram esses recursos, segundo o Ministério Público, que afirma que a devolução não exime o delito de peculato.

 

Fujimori alega que o dinheiro serviu para permitir a saída de seu ex-chefe de espionagem em meio a uma crise provocada por um escândalo de corrupção, porque "se estava tramando um golpe de Estado". Após a entrega do dinheiro, Montesinos fugiu para o Panamá e voltou por poucos dias em outubro de 2000 para fugir outra vez do Peru até ser capturado na Venezuela em 2001.

 

"Sei que não encontrarei a Justiça dentro destas quatro paredes", afirmou Fujimori ao final do processo. "O veredicto começou a ser dado por milhares de peruanos que têm na memória o que foi o terrorismo, a hiperinflação, o caos e a incerteza, por isso hoje apoiam de maneira massiva e contundente minha filha Keiko", acrescentou.

 

Segundo a mais recente pesquisa da empresa Ipsos Apoyo, feita em junho, a congressista Keiko Fujimori aparece como líder nas intenções de voto para a Presidência em 2011. Keiko Fujimori tem 22% da preferência. Em segundo lugar das intenções de voto estão empatados o atual prefeito de Lima, Luis Castañeda, e o nacionalista Ollanta Humala, ambos com 15%.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
FujimoriPeru

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.