Fujimori é inocente, diz ex-chefe dos serviços de espionagem

O ex-presidente peruano Alberto Fujimorinão deveria ser responsabilizado pelos abusos de direitoshumanos cometidos durante o governo dele, afirmou nasegunda-feira o homem encarregado de dirigir a temida rede decontra-insurgência existente então. Vladimiro Montesinos, condenado a 20 anos de prisão portráfico de armas e corrupção, sentou no banco das testemunhas edefendeu energicamente Fujimori das acusações de que mandou umesquadrão da morte assassinar 25 supostos esquerdistas nos anos90, quando o Peru enfrentava o grupo guerrilheiro SenderoLuminoso. "Fujimori não tem responsabilidade nenhuma pelo queocorreu", afirmou Montesinos, que gritou várias vezes com ospromotores e os juízes da Suprema Corte. Montesinos e Fujimori, que se encontraram na segunda-feirapela primeira vez em oito anos, não conversaram entre si, maspareciam trocar olhares de confiança mútua. O ex-presidente, 69, pode ser condenado a até 30 anos deprisão. Apesar de a carreira política dele ter chegado ao fim,analistas afirmam que Fujimori prepara Keiko, sua filha emembro do Congresso, para concorrer à Presidência em 2011. Caso eleita, Keiko poderia garantir um tratamento melhor ouuma pena mais branda para Montesinos, condenado em 2001. Ela já prometeu perdoar o pai caso vença o pleito. Fujimori, que cochilou várias vezes durante as horas dedepoimentos ocorridos nos sete meses de seu julgamento,mostrou-se atento e ativo ao ouvir Montesinos elogiá-lo porenfrentar os insurgentes. Quando, em 2000, durante um escândalo de corrupção, ogoverno de Fujimori entrou em colapso (após o presidente terficado dez anos no poder), os dois homens fugiram do país. Montesinos temia por sua vida e Fujimori, com medo de quemais irregularidades fossem descobertas, mandou um assessorroubar documentos da casa de Montesinos. Enquanto esteve no poder, Fujimori derrotou osguerrilheiros e colocou em ordem a caótica economia peruana.Mas adversários dele acusam-no de ter violado os direitoshumanos para colocar fim a uma guerra de 20 anos durante a qualquase 70 mil pessoas morreram ou desapareceram. Famílias das vítimas assassinadas pelo esquadrão da mortedo governo disseram ter ficado indignadas com o comportamentode Montesinos, que desobedeceu os juízes por várias vezes nasegunda-feira e discursou longamente a respeito de como ele eFujimori tinham salvado o país dos esquerdistas armados. "A arrogância de Montesinos é chocante", disse GiselaOrtiz, cujo irmão foi morto no massacre ocorrido em 1992 nauniversidade La Cantuta.

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