Fujimori ficará em prisão inteira só para ele

Fujimori é vigiado por agentes do Instituto Nacional Penitenciário e 78 especialistas em operações especiais

Álvaro Mellizo - EFE,

23 de setembro de 2007 | 00h36

O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, extraditado e preso desde sexta-feira, 21, temporariamente em um quartel da Polícia, enfrentará o julgamento por corrupção e violações a direitos humanos em um presídio exclusivo para ele que ainda não está habilitado. Agora, o sigilo e a incerteza que rodeou o retorno do ex-presidente Fujimori (1990-2000) ao Peru se estendem sobre o lugar onde ele ficará durante o julgamento. Os dados divulgados até agora sobre o destino do ex-presidente são um quartel onde será instalado provisoriamente um tribunal, no qual Fujimori também vai morar, e uma posterior prisão ainda a ser habilitada, que seria a definitiva, onde ele será o único detento. Sete anos depois de fugir para o Japão, Fujimori passa, neste sábado, 22, sua primeira noite no quartel, em um quarto de 15 metros quadrados com vidros blindados e reforçados com cimento armado. O lugar é diametralmente oposto à luxuosa mansão em Chicureo, em Santiago, onde ele ficou meses sob prisão domiciliar. A cela fica no quartel da Direção de Operações Especiais da Polícia Nacional, organismo criado em 1987 para cuidar de missões policiais de alto risco. Fujimori é vigiado por agentes do Instituto Nacional Penitenciário (INPE), junto com 78 especialistas em operações especiais, cuja responsabilidade é manter o setor isolado e vigiar o extraditado, segundo o jornal peruano "La República". Neste lugar, ele passará pelo menos 15 dias submetido a um regime especial que permite apenas duas horas de pátio, com visitas controladas e sob a proibição de ver televisão. Fujimori só poderá ler jornais. Entre outras medidas extremas de segurança, o réu receberá apenas alimentos levados por seus familiares e amigos. O "Estabelecimento Penitenciário Transitório Barbadillo", como foi batizado, foi criado na sexta-feira por um decreto do presidente peruano, Alan García, para evitar os problemas legais que poderiam derivar de manter o ex-presidente em uma delegacia. Ao mesmo tempo e para evitar deslocamentos, o Ministério da Justiça habilitou como tribunal um quarto anexo ao de Fujimori, a partir deste sábado, para julgá-lo sem necessidade de transferências. No entanto, avisou que Fujimori só permanecerá lá até o Centro Penitenciário Callao 2 ser habilitado como prisão. A instalação ainda está sendo adequada para o preso na antiga Escola de Agentes Penitenciários do INPE. Não se sabe mais dados oficiais sobre o local, embora o jornal "El Comercio" tenha publicado um infográfico mostrando a futura prisão individual, constituída por dormitório, cozinha, banheiro, refeitório, salão e hall. Desde a decisão da Suprema Corte do Chile de extraditar o ex-presidente peruano, a principal preocupação de seus familiares e simpatizantes é o respeito à sua segurança e dignidade como ex-chefe de Estado. Para os fujimoristas, a opção de ver o "líder" preso na Base Naval de Callao junto com os presos mais notórios do país - como seu antigo conselheiro, Vladimiro Montesinos, e o fundador do Sendero Luminoso, Abimael Guzmán - é impensável. A deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente, declarou que "não vão aceitar" que seu pai fique preso durante o processo, apesar de a promotoria pedir até 30 anos de prisão. "Aceitaremos prisão domiciliar como última opção", disse. Keiko, que chegou a ser primeira-dama após o divórcio de seus pais, exigiu do Governo García um tratamento justo e devido, pedindo que o caso não seja transformado em "nenhum tipo de circo nem show midiático".

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