Fujimori nega conhecer esquadrão da morte no Peru

O ex-presidente peruano Alberto Fujimorinegou nesta quarta-feira ter tido conhecimento da existência deum esquadrão militar que executou extrajudicialmente 25 pessoasdurante seu governo. Fujimori fez uma vigorosa defesa durante o julgamento emque é acusado de violações dos direitos humanos no Peru, um dosprocessos que motivaram sua extradição do Chile, em setembro. O ex-presidente é réu por homicídio qualificado, lesõesgraves e sequestro, já que supostamente deu aval à matança decivis suspeitos de pertencer à guerrilha Sendero Luminoso. Apromotoria pediu 30 anos de prisão para ele. Ao contrário do que ocorreu na abertura desse processo, nasegunda-feira, quando clamou a gritos sua inocência, Fujimoridesta vez permaneceu sereno, mas eloquente, e esmiuçou suapolítica de combate à guerrilha. Segundo a promotoria, Fujimori permitiu o funcionamento dogrupo Colina, que em novembro de 1991 matou 15 pessoas,inclusive uma criança, durante uma ação de busca porguerrilheiros nos chamados Bairros Altos, no centro de Lima. Em junho seguinte, nove estudantes e um professor foramassassinados em outra suposta ação contra a guerrilha nauniversidade La Cantuta. Quando o promotor José Peláez perguntou a Fujimori se eletinha conhecimento desse esquadrão da morte, o ex-presidenterespondeu: "Posso lhe dar uma resposta clara e indubitável:não, nunca, jamais." A audiência ocorre num quartel de um bairro pobre de Lima,onde Fujimori, 69 anos, está detido desde a extradição. Naterça-feira, ele foi condenado a 6 anos de prisão por terordenado a invasão ilegal do domicílio da esposa do seuex-chefe de espionagem, Vladimiro Montesinos, supostamente paraacobertar provas de corrupção. Fujimori chegou à audiência de quarta-feira às 9h23 (12h23em Brasília), sorridente e acenando para simpatizantes efamiliares. O juiz César San Martín pediu que o réu seabstivesse dos gestos exaltados, que na segunda-feiradesencadearam uma crise de hipertensão. (Com reportagem adicional de Jean Luis Arce)

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