Fujimori responde por crimes de grupo criado em seu governo

Supostamente responsável por massacres, Colina teria sido criado por homem de confiança do ex-presidente

EFE,

22 de setembro de 2007 | 04h20

O ex-presidente Alberto Fujimori responderá à Justiça peruana por massacres atribuídos ao Grupo Colina, um comando militar supostamente criado por seu homem de confiança, Vladimiro Montesinos. Fujimori governou o Peru de 1990 a 2000.   Um dos episódios mais conhecidos atribuídos ao Colina, ocorreu em 3 de novembro de 1991, quado 15 pessoas foram assassinadas no bairro limenho de Barrios Altos "por homens fortemente armados que chegaram em veículos de instituições estatais e que atuaram com total impunidade", segundo o relatório da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).   Foi a primeira ação atribuída ao esquadrão da morte, numa época em que o grupo maoísta Sendero Luminoso havia escolhido Lima como alvo de seus ataques.   Além da marca da crueldade, o massacre revelou o estilo do Colina. Seus homens, encapuzados e armados de metralhadoras, invadiram uma festa beneficente, procurando senderistas. Os subversivos, entretanto, estariam em outra festa na vizinhança, segundo informou a revista Caretas de 12 de outubro de 2000.   Testemunhas narraram como as vítimas foram obrigadas a deitar de bruços antes de serem mortas com tiros à queima-roupa. Uma criança de 8 anos foi assassinada com 12 tiros. Segundo a CVR, foram achados 130 cartuchos no local.   O promotor antiterrorista Pablo Livia cuidou do caso durante 16 dias, período em que recebeu ameaças de morte e foi vítima de dois atentados, segundo a Caretas.   Oito meses depois, na madrugada de 18 de julho de 1992, o Colina seqüestrou nove estudantes e um professor da Universidade de La Cantuta, que apareceram mortos em seguida.   Fujimori tinha visitado a universidade e enfrentado um violento protesto dos estudantes. O governo impôs o toque de recolher e um rígido controle militar, alegando que a instituição encobria terroristas.   Também de acordo com a CVR, o comando invadiu o alojamento universitário e, diante de cerca de 100 testemunhas, seqüestrou as vítimas. As autoridades não procuraram paradeiro e até mesmo negaram a incursão noturna na universidade. A revista Si, porém, revelou que o massacre tinha sido obra de membros do Serviço de Inteligência, subordinado a Montesinos.   Em abril de 1993, o Congresso abriu uma investigação e um mês depois o general Rodolfo Robles Espinoza reconheceu que Montesinos e altos comandantes do Exército mantinham o comando, responsável pelos crimes de Barrios Altos e La Cantuta.   Sob pressão da opinião pública, uma lei estabeleceu um processo judicial com privilégios militares. Vários réus foram condenados, mas afirmaram que tinham atuado por conta própria.   Em 1995 os integrantes do esquadrão foram beneficiados por uma lei de anistia. Só em 2001 a Promotoria ligou Fujimori aos crimes, mas um ano antes ele tinha fugido para o Japão.   Em 2005 foi aberto um novo processo, contra os verdadeiros chefes do Colina e o próprio Montesinos. Todos estão presos e aguardando suas sentenças. Alguns processados testemunharam que Fujimori sempre conheceu as atrocidades cometidas pelo grupo.

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