Funcionário dos EUA expulso dirigia CIA no Equador, diz Correa

O Equador acusou neste sábado um funcionário da Embaixada dos Estados Unidos expulso pelo presidente Rafael Correa de dirigir a CIA no país, e negou que a medida tenha sido resultado de pesquisas que ele estaria fazendo sobre um caso de narcotráfico. O Equador expulsou na quarta-feira o primeiro secretário da Embaixada dos EUA em Quito, Mark Sullivan, por ter interferido em decisões internas do país ao tentar indicar funcionários para dirigirem unidades policiais que atuam com ajuda operacional norte-americana. "Falemos claramente, ele (Sullivan) era o diretor da CIA no Equador", disse Correa na cidade de Ambato, em seu pronunciamento sobre os trabalhos da semana. O funcionário norte-americano deixou o país na sexta-feira, segundo a imprensa local. Uma semana antes, o presidente equatoriano havia expulsado outro funcionário da embaixada dos EUA pelos mesmos motivos. O governo norte-americano questionou a decisão de Correa, qualificando-a de "muito conflituosa", e afirmou que isso "levanta sérias preocupações sobre o desejo do Equador de manter uma relação produtiva". A porta-voz da Embaixada dos EUA no Equador, Marta Youth, não quis fazer comentários ao ser consultada sobre o cargo ocupado por Sullivan. Correa é um presidente popular que busca a reeleição nas eleições de abri. Ele negou que a expulsão do norte-americano seja resultado de supostas investigações que ele realizava, com a polícia equatoriana, sobre um caso de narcotráfico no qual estaria envolvido um ex-funcionário do governo do Equador. "Dizem que estamos removendo pessoas para que não se investigue (...) Investiguem o que quiserem. Não temos nada a esconder", acrescentou o presidente, que responsabilizou os meios de comunicação locais por essas acusações. De acordo com a investigação que está sendo realizada pela Justiça equatoriana, o ex-funcionário governamental José Ignacio Chauvin teria supostos vínculos com uma rede internacional de tráfico de drogas relacionada com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Correa atribuiu essas acusações a uma campanha para desprestigiar e desestabilizar o governo e disse que isso põe em "perigo a democracia". (Reportagem de Alexandra Valencia, com colaboração de Alonso Soto em Quito)

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