Gabrielli diz que Petrobras não aceitará exigência do Equador

Presidente da estatal se diz surpreso diante das ameaças de expulsão e afirma que não assinará novo contrato

Kelly Lima e Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

07 de outubro de 2008 | 17h03

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, em sua primeira declaração sobre o incidente no Equador desde as ameaças de expulsão da empresa daquele país, disse nesta terça-feira, 7, ter ficado surpreso com a atitude do presidente equatoriano, Rafael Correa. Ele afirmou, porém, que a empresa não vai aceitar assinar um contrato de prestação de serviços, como quer o Equador. "Nas relações internas, da empresa com o governo, não vejo grandes problemas. Há uma discussão a respeito do bloco 18 e do OCP (Oleoduto de Petróleo Pesado, em espanhol)", afirmou o executivo, durante o lançamento da plataforma P-51, em Angra dos Reis. Veja também:Amorim diz que é preciso paciência com o EquadorCorrea pode exigir indenização da Petrobras  O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que minimizou o impasse sobre a permanência ou não da Petrobrás no Equador. "Precisamos saber se o Equador quer ter ou não a Petrobrás e se a Petrobrás, pelas reservas que tem lá, acha que vale a pena continuar a investir lá", comentou Lula. Esta semana o governo equatoriano fechou um pré-acordo para a redefinição de contratos com as empresas petrolíferas Repsol-YPF, da Espanha, e Perenco, da França. De exploradoras do recurso natural as empresas passaram a figurar como prestadoras de serviço para o governo equatoriano. A companhia chinesa Andes Petroleum já havia aceitado renegociar seus contratos. Com isso, a Petrobrás ficou isolada nas negociações com Quito e recebeu ameaça de expulsão do país por não se adequar às novas regras. Lula reiterou que o assunto ainda está na esfera comercial, de negociações entre as estatais brasileira equatoriana. "Se o tema ganhar a esfera política, disse o presidente, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério de Relações Exteriores deverão entrar na discussão. Lula frisou, porém, que o Equador continua sendo parceiro estratégico do Brasil.  A Petrobrás já havia devolvido o Bloco 31 ao governo equatoriano por ele estar localizado em uma reserva indígena. A estatal havia recebido licença ambiental para operar na área, mas quando o governo de Rafael Correa assumiu, questionou esta licença. O bloco 18 está localizado próximo ao local, assim como o oleoduto. Paciência O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, voltou a defender ontem tranqüilidade nas negociações. "É importante ter um pouco de paciência", disse o diplomata, lembrando que o Equador vive um clima eleitoral. "O país tem processo eleitoral. As pessoas falam. Então deixa pra lá um pouquinho", disse Amorim, após assinar acordo para entrada do Brasil como observador regional no sistema de integração da América Central (Cica, na sigla em espanhol).  O ministro afirmou que não é favorável a se negociar pela mídia. "Acho que às vezes há um excesso de declarações." Ele disse ainda que esse tipo de assunto é mais negociado diretamente pela empresa.  O ministro de Minas e Petróleo do Equador, Galo Chiriboga, advertiu anteontem a Petrobrás de que revogará seu contrato de exploração do Bloco 18, na Amazônia equatoriana, se a empresa não respeitar as políticas do governo e aceitar "no menor tempo possível" um novo acordo sobre suas operações na região.  Assinado em 2001, o contrato termina em 2022. No início de setembro, o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou a renegociação de todos os contratos com as petroleiras estrangeiras, que atualmente exploram quase metade dos campos do país e ficam com 82% da receita do petróleo. (Com Adriana Chiarini, da Agência Estado)

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