García critica uso de fotos de Chávez em ajuda ao Peru

Nacionalista Ollanta Humala e presidente venezuelano são acusados de fazer propaganda em momento trágico

Efe,

20 de agosto de 2007 | 17h54

A suposta distribuição de latas de peixe com fotografias do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e do líder nacionalista peruano, Ollanta Humala, causou polêmica no Peru. O jornal Expreso informou nesta segunda-feira, 20, que as latas possuem um rótulo com as fotos e o slogan "Diante dos saques, do desespero e do caos. Solidariedade com nossos compatriotas", o que despertou as críticas do governo. Venezuelanos e nacionalistas negaram que a iniciativa tenha sido deles.  Papa envia US$ 200 mil para assistência emergencial no Peru Veja foto da lata no site do jornal 'Expreso' "Não é o momento de se aproveitar das circunstâncias para fazer propaganda eleitoral. É preciso levar ajuda sem rótulos, sem querer ganhar indulgências com a tragédia humana", afirmou o presidente peruano, Alan García. García insinuou que a distribuição tenha sido realizada pelo Partido Nacionalista Peruano, por considerar que Chávez não tem necessidade de fazer campanha política no Peru, segundo a agência oficial Andina. O presidente confiou na "sinceridade e na vontade de ajudar" do governo venezuelano, que enviou um avião com assistência humanitária. A assessora de imprensa do partido nacionalista, Cynthia Montes, qualificou de "covarde" a insinuação de García e insistiu em que a legenda "não quis obter benefícios políticos com a entrega da ajuda". Montes negou que o partido tenha confeccionado os rótulos e pediu a abertura de uma investigação. Os nacionalistas distribuíram mantimentos, água, fraldas, e remédios nas localidades de Chincha e Pisco. A ajuda foi entregue aos prefeitos. A porta-voz insinuou que o governo pode estar por trás disso, para desviar a atenção devido às críticas que recebeu em relação à ineficiente distribuição da ajuda nas áreas de emergência. O embaixador da Venezuela no Peru, José Armando Laguna, também negou que o país utilize a ajuda humanitária com fins políticos. Segundo a Andina, Laguna afirmou que as autoridades venezuelanas desconheciam a iniciativa denunciada pelo jornal Expreso. "Não há nenhuma propaganda política. É uma manobra daninha, uma manobra vi, porque a Venezuela trouxe apoio humanitário, não trouxe tendências políticas nem partidarização", acrescentou. Cerca de 500 pessoas morreram e ao menos 1.500 ficaram feridas no terremoto de magnitude 8 que assolou o Peru na quarta-feira, 15. Diversas cidades foram destruídas, como Pisco e Ica, e ajuda internacional de todos os lados têm sido crucial para os residentes.

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