García forma novo gabinete para 'redistribuir' riquezas no Peru

O presidente peruano, Alan García, recebeunesta quinta-feira o juramento do seu novo gabinete e assegurouque as mudanças no governo visam reduzir as desigualdadessociais no país, que registra forte crescimento econômico. Mas a oposição e os sindicatos disseram que na verdadeGarcía se inclinou mais para a direita com a entrada nogabinete de um advogado ligado ao mundo empresarial e de umpolítico conservador, além da manutenção do ministro daEconomia, Luis Carranza, responsável por um férreo controlefiscal. García deu posse a novos titulares das pastas de Habitaçãoe Construção, de Justiça, da Mulher e do DesenvolvimentoSocial, da Saúde, do Trabalho e da Defesa. Na primeira vez em que presidiu o Peru (1985-90), Garcíarompeu com os mercados financeiros, quando tentou estatizar osbancos. Agora, porém, converteu-se à defesa dos investimentosinternos e estrangeiros e dos tratados de livre-comércio compaíses ricos. "É uma ocasião para reafirmar os objetivos que o governo sepropõe, redistribuir os frutos desse crescimento econômico",disse García durante a posse dos seis novos ministros, de umtotal de 15. O ministro da Defesa, Allan Wagner, deixa o governo paraparticipar do processo na Corte de Haia em que o Peru pleiteiaparte do mar territorial chileno. Ele será substituído peloembaixador peruano na Organização dos Estados Americanos,Antero Flores-Aráoz, ex-presidente do conservador PartidoPopular Cristão. "O que veremos é um acirramento do discurso neoliberal,agora plasmado em algumas decisões de governo", disse oparlamentar Cayo Galindo do opositor Partido Nacionalista. Juan José Gorriti, dirigente do maior sindicato peruano,criticou a nomeação do advogado Mario Pasco, ex-advogado degrandes empresas e consultor da Organização Internacional doTrabalho, para a pasta dessa área. (Por Marco Aquino, e colaboração de Jean Luis Arce e TeresaCéspedes)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.