Gasoduto explode e Bolívia suspende 10% do envio ao Brasil

Opositores de Evo Morales são responsáveis pelo ataque, diz estatal boliviana; reparo deve levar até 20 dias

Agências internacionais,

10 de setembro de 2008 | 14h55

A companhia petrolífera estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) informou nesta quarta-feira, 10, que um "atentado terrorista" atribuído a manifestantes opositores ao governo do presidente Evo Morales provocou destruição em um gasoduto, forçando um corte de 10% no fornecimento de gás natural que o país envia ao Brasil. O duto, que extrai gás de vários campos na região, está localizando na região de Chaco, no sul do país. Sua reparação poderá levar até 20 dias e as perdas totais superam US$ 100 milhões, declarou o presidente da YPFB, Santos Ramirez.   Segundo ele, 3 milhões de metros cúbicos de gás deixarão de ser fornecidos ao País - diariamente, a empresa enviava 31 milhões de metros cúbicos. Ramirez explicou que a válvula do gasoduto, localizado a cerca de 50 quilômetros da cidade de Yacuiba, na fronteira com a Argentina, foi danificada por manifestantes antigovernamentais, que tentaram fechá-la violentamente.   Veja também: Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Evo pede expulsão de embaixador americano Lula acompanha situação na Bolívia  Lobão nomeia dois secretários para monitorar crise Entenda os protestos da oposição na Bolívia Imagens das manifestações    No Brasil, o Ministério das Minas e Energia informou que até a tarde desta quarta ainda não havia notado redução no fluxo de gás para o país. Segundo a assessoria do ministério, técnicos que estão acompanhando a questão não confirmaram por enquanto a alteração no volume de recebimento diário.   A Comgás, maior distribuidora de gás natural do Brasil, também informou que o fornecimento da Bolívia está normal até o momento. A empresa, que atua no Estado de São Paulo, recebe cerca de 650 mil metros cúbicos diários do combustível da Bolívia. De acordo com o jornal argentino Âmbito Financiero, os opositores ainda cortaram o fornecimento de gás para a Argentina.    A explosão ocorreu na localidade de Palmar Grande, no Grande Chaco boliviano, no departamento (Estado) de Tarija, como contou, por telefone o presidente do Comitê Civico de Tarija, Reinaldo Bayard. "A população ouviu uma explosão e saiu correndo", disse ele, segundo a BBC Brasil.   Bayard passou a noite em outra ocupação, na usina de Vuelta Grande, no caminho para a Argentina, onde é armazenado o gás que é enviado para o Brasil e o mercado argentino. "Esta usina também está parada", continuou. Apesar disso, ele afirmou que não foram os manifestantes que explodiram o gasoduto. "Não fomos nós. Foi coisa do governo para nos responsabilizar."   Há mais de uma semana grupos opositores de Evo estão organizando ações como ocupações de estradas, invasões de edifícios públicos e tomadas de postos da fronteira com o Brasil, a Argentina e o Paraguai em cinco departamentos opositores - Santa Cruz, Tarija, Beni, Chuquisaca e Pando.   Além disso, no sul da Bolívia, grupos radicais também ocuparam na madrugada desta quarta, perto da localidade de Villamontes, uma fábrica de envasilhamento de gás liqüefeito de petróleo em bujões.Os grupos opositores, entre eles uma pessoa disfarçada de militar, atacaram dois soldados que guardavam o local, os desarmaram e invadiram a instalação para causar a suspensão de suas atividades,mostraram os canais de televisão locais.  Foto: Efe O objetivo dos manifestantes é protestar contra o projeto de uma nova Constituição, aprovado por parlamentares governistas em novembro, que Evo pretende referendar em votação em dezembro. Os manifestantes exigem ainda a restituição de parcela do imposto sobre gás e petróleo, que era repassada para os governos, mas foi confiscada pelo governo para financiar uma pensão nacional para idosos.   O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, anunciou que, a partir desta quarta, será disponibilizada uma "maior presença" militar nas instalações petrolíferas para evitar "os atentados criminosos" nessa região produtora de hidrocarbonetos.   Ele também disse que os atentados e a onda de protestos da oposição buscam "sepultar a nacionalização" decretada por Evo em 2006, "levar pela frente o governo e derrubar a democracia."   Os protestos abrem mais um capítulo da disputa entre o governo Evo e a oposição regional. Eleito em 2005 prometendo refundar a Bolívia, Evo teve seu mandato ratificado no referendo revogatório de agosto com 67% dos votos e agora quer acelerar suas reformas. A oposição resiste e exige que o governo reconheça os estatutos autonômicos aprovados em consultas populares em quatro departamentos.      (Matéria atualizada às 18h40)   (Com Marina Guimarães e André Lachini, da Agência Estado)

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